Muito esperado, depoimento de Eduardo Pazuello à CPI acontece nesta quarta (19)

Ex-ministro da Saúde é tido como uma das principais testemunhas a depor à comissão

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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Nesta quarta-feira (19), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia receberá o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, em uma das oitivas mais esperadas pelo senadores. Segundo o Senado Federal, a sessão da CPI da Covid-19 terá início às 9h.

Contabilizada a sua interinidade e o período em que ficou oficialmente à frente da Saúde, Pazuello foi o ministro que por mais tempo coordenou os esforços do governo federal no combate à Covid-19, entre maio de 2020 e março de 2021. 

Havia a expectativa de que Pazuello pudesse comparecer à CPI em traje militar, mas o comandante do Exército, general Paulo Sergio Nogueira, informou ao senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, que o ex-ministro não irá fardado ao Congresso. Segundo o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Nogueira julgou a iniciativa como uma “exposição desnecessária” para a Força.

Originalmente, o depoimento de Pazuello estava marcado para o dia 5 de maio, mas acabou transferido para o dia 19 depois que o general da ativa do Exército Brasileiro afirmou ter entrado em contato com duas pessoas que testaram positivo para a Covid-19, de forma que uma quarentena preventiva se fazia necessária. 

No entanto, entre a oficialização do adiamento da oitiva e esta quarta-feira, Pazuello esteve pessoalmente com representantes do governo federal. No dia 6, de acordo com o jornal “O Estado de S.Paulo”, recebeu no hotel onde mora, em Brasília, a visita de Onyx Lorenzoni (DEM), ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Três dias depois, como mostrou a CNN, tomou café da manhã com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada. 

A ligação entre o ex-ministro e o governo federal também ficou em evidência quando a Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) em nome de Pazuello para que o general possa ficar em silêncio quando for questionado pelos senadores. 

O benefício foi concedido pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, que decidiu pelo direito ao silêncio quando o depoente entender que há o risco de autoincriminação diante de questionamentos feitos no âmbito da CPI. 

De acordo com apuração do analista de política da CNN Caio Junqueira, mesmo com a “blindagem” garantida pelo STF, Pazuello tem dito a interlocutores que pretende falar aos senadores, aproveitando a ocasião para dar destaque ao que julga como pontos positivos de sua gestão. O direito ao silêncio, contudo, será utilizado quando seus advogados, que estarão pessoalmente com o ex-ministro, recomendarem.

A expectativa é que Pazuello tente poupar o presidente Jair Bolsonaro de ser visto como responsável pelas diretrizes do Ministério da Saúde. 

‘Um manda e o outro obedece’

O ministro provavelmente terá de responder sobre as possíveis interferências do presidente Bolsonaro nos processos de compra das vacinas contra a Covid-19. 

Em outubro de 2020, Bolsonaro desautorizou Pazuello, que havia anunciado a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, que é ligado ao governo de São Paulo, cujo chefe é João Doria, rival político do presidente. 

Em transmissão ao vivo nas redes sociais do presidente, um dia depois de ter de voltar atrás na compra das vacinas, Pazuello resumiu: “é simples assim: um manda e o outro obedece”.

Porém, em janeiro de 2021, o governo voltou atrás e fechou contrato de compra de 46 milhões de doses da Coronavac com o Instituto Butantan. 

Tratamento precoce 

Sob a gestão de Pazuello, o Ministério da Saúde endossou o chamado “tratamento precoce”, que se vale de medicamentos sem eficácia comprovada para o combate da Covid-19. 

Também em janeiro de 2021, a pasta lançou um aplicativo que facilitava a prescrição de medicamentos como a hidroxicloroquina e a invermectina para tratar a doença causada pelo novo coronavírus, o TrateCOV. 

Dias depois, contudo, Pazuello negou que o Ministério da Saúde recomendasse o tratamento precoce, e afirmou que defendia, na verdade, o “atendimento precoce”. Dias depois, o TrateCOV saiu do ar. 

Uma das principais vozes na defesa do tratamento precoce é a da secretária de Gestão do Trabalho e Educação no Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, apelidada como “Capitã Cloroquina”, que tem depoimento marcado à CPI da Pandemia na quinta-feira (20). 

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