Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, diz Bolsonaro a apoiadores

Na saída do Palácio do Alvorada, presidente afirma que confia em seus ministros e que não acredita que tenha havido irregularidades na negociação da Covaxin

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta segunda-feira (28) que ele não tem como saber tudo que acontece nos 22 ministérios de seu governo, mas que confia em seus ministros e acredita que não houve irregularidade nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin.

“Não tem como eu saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro. Nada fizemos de errado. Os caras colocam na narrativa a vacina, uma fissura do governo Bolsonaro no tocante à corrupção”, disse o presidente a apoiadores, ao comentar as suspeitas em torno da negociação do imunizante, na saída do Palácio do Alvorada.

Na sexta-feira (25), em depoimento à CPI da Pandemia, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, Luis Ricardo Miranda – servidor de carreira do Ministério da Saúde –, deram detalhes da suspeita de corrupção envolvendo a compra da vacina contra Covid-19.

“Aquela história de 1000% do faturado, quem entende um pouquinho, vamos supor que queira fazer uma fraude, não vai soltar uma coisa de 1000%. A cada frasco, são 3.000 frascos, tem 5 ml e a dose para cada vacina é 0,5 ml, ai faz dez vezes que dá os 1000%, não tem nada de errado aí”, explicou.

“Foi corrigido nos dias seguintes que o cara esteve aqui. Aqui vem tudo que é tipo de gente, pessoal. Eu não posso falar: ‘você é deputado deixa eu ver a sua ficha aí’, ia receber pouca gente, eu recebo todo mundo”, completou, se referindo ao encontro que teve com os irmãos Miranda, em março – e no qual eles alegam ter alertado Bolsonaro sobre o suposto problema.

O presidente disse ainda que a emenda de R$ 1,6 bilhão para a compra da vacina partiu do Congresso.

“Não recebemos uma dose, não pagamos um centavo, mas a emenda para a Covaxin veio deles. Randolfe [Rodrigues] como relator, do irmão do Renan [o deputado Renildo Calheiros] e do próprio Omar Aziz [presidente da CPI]”, afirmou o presidente, que disse que os senadores opositores que fazem parte da CPI da Pandemia “inventaram a corrupção virtual”.

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