O Grande Debate: Brasil provoca Trump ao citar risco de ação militar?
Ofício do Itamaraty alerta para possível intervenção americana após classificação do PCC e Comando Vermelho como terroristas
Os deputados federais Ricardo Salles (Novo-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP) debateram, na quarta-feira (8), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre se o "Brasil provoca Trump ao citar risco de ação militar".
O governo dos Estados Unidos classificou como "absurda" a hipótese levantada pelo Itamaraty de uma ação militar americana em território brasileiro. Em nota à CNN, um porta-voz do Departamento de Estado rebateu o ofício assinado pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e enviado à Câmara dos Deputados.
No documento, o Itamaraty alertava para os riscos da classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho como organizações terroristas, apontando possíveis implicações para cidadãos brasileiros.
Para o porta-voz americano, as alegações de Mauro Vieira são vagas e servem de pretexto para, segundo ele, auxiliar e acobertar "alguns dos grupos mais violentos do mundo". O episódio gerou intenso debate político no Brasil, com parlamentares divergindo sobre a natureza e a pertinência do documento enviado pelo Itamaraty ao Legislativo.
Salles critica postura do governo diante da classificação
O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) avaliou que a hipótese de intervenção militar americana no Brasil é "absurda" e "completamente insana". Para ele, os Estados Unidos não têm nenhum interesse em realizar uma ação militar no Brasil, que considera um parceiro de longa data.
No entanto, Salles defendeu que é legítimo que os americanos busquem mecanismos de retaliação financeira e judicial contra membros de organizações criminosas transnacionais como o PCC e o Comando Vermelho, que, segundo ele, possuem influência em países como Portugal e em toda a América Latina.
Salles afirmou que a fala do chanceler Mauro Vieira é "totalmente despropositada e desequilibrada" e representa uma tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de diminuir o impacto da classificação dessas organizações como narcoterroristas.
"Me admira muito essa resistência do governo em deixar que um organismo internacional classifique órgãos criminosos aqui no Brasil, que fazem tanto mal ao nosso país, como organizações terroristas", declarou.
O parlamentar também criticou o que chamou de "frouxidão" em matéria de segurança pública e se posicionou contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre segurança pública, argumentando que centralizar essa política no governo federal seria contraproducente.
Orlando Silva defende resposta técnica do Itamaraty
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) adotou posição distinta, afirmando ter lido o documento de Mauro Vieira e classificando-o como "uma resposta técnica a um requerimento de informações feito pela própria Câmara dos Deputados".
Para ele, o ofício aponta os riscos da aplicação da extraterritorialidade de uma lei americana em outros países, e não há nada de extraordinário no que foi respondido pelo Itamaraty.
Silva argumentou que a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode, paradoxalmente, limitar a cooperação internacional em inteligência entre os dois países.
"Eu quero que o Brasil coopere com as forças americanas dedicadas à inteligência, para que nós possamos combater essas organizações que têm uma intervenção transnacional. Mas o Brasil deve defender sempre a sua soberania", afirmou.
O parlamentar também defendeu a necessidade de um plano nacional de segurança pública que articule União, estados e municípios, e citou o fortalecimento da Polícia Federal como exemplo de investimento bem-sucedido na área.


