O Grande Debate: Joaquim Barbosa tem ou não chance contra Lula e Flávio?
Comentaristas debatem a pré-candidatura do ex-ministro do STF pelo Democracia Cristã e seu potencial eleitoral
Os comentaristas da CNN José Eduardo Cardozo e Vinicius Poit debateram, na segunda-feira (18), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), se Joaquim Barbosa tem ou não chance contra Lula e Flávio?
O partido Democracia Cristã (DC) confirmou a pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República, substituindo Aldo Rebelo, que publicou nas redes sociais uma nota de repúdio à indicação. O anúncio veio após uma pesquisa encomendada pelo presidente nacional da sigla, João Caldas, apontar que Barbosa tem maior potencial de voto do que Rebelo.
Barbosa foi relator do julgamento do Mensalão e o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal, cargo que ocupou entre 2012 e 2014. Desde então, vinha atuando na advocacia privada. Segundo apuração do âncora Gustavo Uribe, a escolha faz parte de um processo de articulação política iniciado em abril, embora a reação inicial da sigla tenha sido de cautela, uma vez que Barbosa já havia sinalizado disposição para disputar a presidência em 2018, mas desistiu antes das eleições.
Chances reduzidas no cenário atual
Para José Eduardo Cardozo, a candidatura de Barbosa tende a ocupar uma posição marginal no cenário eleitoral. "Joaquim Barbosa é uma pessoa polêmica, que não tem uma inserção no mundo político muito forte", avaliou. Segundo ele, Barbosa não demonstrou até o momento o perfil de líder carismático capaz de mobilizar as massas, o que o levaria a concluir que a candidatura serve mais para "marcar posição" do que para competir de forma efetiva. Cardozo também destacou a incerteza sobre qual espectro político Barbosa pretende ocupar, já que historicamente tem posições mais à esquerda, mas antagonizou duramente o governo petista durante o Mensalão.
Cardozo foi enfático ao afirmar que a candidatura de Barbosa dificilmente arranhará o nome de Lula. "O escândalo do Mensalão foi em 2005, 21 anos atrás. Depois desse escândalo, Lula já se reelegeu em 2006, elegeu sua sucessora em 2010, Dilma Rousseff foi eleita em 2014 e Lula se reelegeu em 2022", argumentou. Para ele, o tema já foi "devidamente depurado pela opinião pública e pelo eleitor brasileiro" em sucessivas eleições, tornando improvável que Barbosa traga algo verdadeiramente novo ao debate.
Candidatura legítima, mas com dificuldades
Vinícius Poit concordou que as chances de Barbosa são reduzidas, mas reconheceu a legitimidade da candidatura. "Muitos vão lembrar dele pela sua atuação, principalmente no Mensalão, pela sua defesa fortalecida de suas opiniões", disse. Poit destacou que Barbosa "vem de baixo, tem uma história guerrida, tem uma história de alguém que vem do povo e chegou lá", o que o diferencia de outros candidatos. Na avaliação de Poit, Barbosa poderia atrair eleitores de centro e até de centro-direita que o enxergam como alguém que se opôs ao PT durante o escândalo do Mensalão.
Quanto à possibilidade de uma terceira via crescer a menos de cinco meses da eleição, Poit reconheceu a dificuldade, mas não descartou surpresas. "A política é como as nuvens no céu. Você olha, uma hora está de um jeito. Triscou, olhou de novo, já mudou", afirmou, citando uma frase atribuída a Magalhães Pinto. Ele mencionou ainda o impacto do áudio de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro — episódio que teria provocado a queda do dólar e da bolsa de valores — como exemplo de como o cenário pode se reconfigurar rapidamente. Cardozo, por sua vez, manteve o prognóstico de que a disputa deverá se polarizar entre Lula e um candidato da direita, seja Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, com chances mínimas para os demais.


