Pazuello não comparece e Exército notifica ex-ministro por escrito

O episódio é mais uma demonstração da irritação do Alto Comando do Exército com Pazuello

Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia
Pazuello durante seu segundo dia de oitivas na CPI da Pandemia Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Caio Junqueirada CNN

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O Exército Brasileiro notificou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, na noite desta segunda-feira (24), sobre a abertura de um procedimento disciplinar contra ele por sua participação em um ato com o presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro.

A ideia inicial era que Pazuello fosse informado pessoalmente pelo comandante do Exército, Paulo Sergio Nogueira, mas fontes das Forças Armadas informaram à CNN que ele não chegou a tempo do Rio de Janeiro.

Inicialmente, pensou-se uma reunião pessoalmente entre Nogueira e Pazuello na manhã desta terça-feira (25), mas a reunião foi cancelada. 

O episódio é mais uma demonstração da irritação do Alto Comando do Exército com Pazuello. Militares consideraram a participação dele no ato com Bolsonaro uma afronta. A situação interna, segundo generais, nunca esteve tão ruim. 

Em conversa com Pazuello após o ato de domingo, Paulo Sérgio Nogueira orientou-o a ir para reserva. A solução é considerada pela força a mais diplomática, pois agradaria ao Alto Comando que poderia atenuar sua punição. Pazuello, porém, resiste à ideia. Generais continuarão a debater essa possibilidade com ele.

Caso ele mantenha a resistência, alternativas estão sendo avaliadas pelo Exército. Uma delas é a promoção de oficiais generais de turmas mais novas, o que automaticamente o levaria à reserva. Outra é uma punição tão severa pela ida ao ato que o force a pedir aposentadoria.

Procurado pela CNN, o ex-ministro da Saúde não retornou as ligações.

Ato no Rio de Janeiro

Bolsonaro e ex-ministro da Saúde Pazuello
Bolsonaro e ex-ministro da Saúde Pazuello, em carro de som, falam com apoiadores no Rio de Janeiro (23-05-2021)
Foto: Reprodução / CNN

O general Eduardo Pazuello esteve, sem máscara, em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, também sem máscara, neste domingo (23) no Rio de Janeiro. A participação aconteceu dias depois de o militar falar à CPI da Pandemia, no Senado.

O depoimento à comissão deveria ter acontecido no começo do mês, mas foi adiado em duas semanas depois de Pazuello ter contato com casos suspeitos de Covid-19. Ele chegou a enviar uma carta ao Exército pedindo o adiamento. O general também havia sido flagrado sem máscara em um shopping de Manaus.

Procedimento disciplinar

O Exército decidiu abrir um procedimento disciplinar contra o ex-ministro da Saúde. Como general da ativa, ele só poderia ir ao ato com autorização do comando do exército, o que não ocorreu.

A investigação irá avaliar se ele descumpriu o Regulamento Disciplinar do Exército, que prevê punição caso “manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária”.

O artigo 24 do Regimento prevê seis tipos de punição:  
“I – a advertência;
II – o impedimento disciplinar;
III – a repreensão;
IV – a detenção disciplinar;
V – a prisão disciplinar; e
VI – o licenciamento e a exclusão a bem da disciplina.”

Pazuello será chamado a se manifestar e apresentar sua defesa. A expectativa é de que o procedimento dure até  30 dias.

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