PF enviou relatório a Fachin, mas não pediu suspeição de Toffoli
Polícia Federal entregou material com evidências sobre o ministro do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro ao presidente do Supremo, sem fazer solicitação formal de afastamento. A apuração é de Isabel Mega
A Polícia Federal não realizou um pedido formal de suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no relatório enviado ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. A informação foi apurada pela analista de política da CNN Isabel Mega.
Segundo a apuração, apesar de não haver solicitação expressa para afastar Toffoli do caso, o material entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao ministro Fachin contém evidências que sugerem que o magistrado seria considerado suspeito para atuar como relator no processo.
O caso envolve investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Após o envio do relatório, o ministro Dias Toffoli reagiu rapidamente com uma nota oficial, defendendo-se das suspeitas.
Empresa familiar sob escrutínio
Em nova manifestação, o gabinete de Toffoli esclareceu que a empresa Maridt, mencionada nas investigações, é uma sociedade anônima de capital fechado, de caráter familiar, devidamente registrada e com declarações regulares à Receita Federal.
O ministro afirmou que faz parte do quadro societário da empresa, que é administrada por seus parentes. Na nota, destacou que, de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar 35/1979), magistrados podem integrar quadros societários e receber dividendos, sendo vedado apenas praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
Segundo a manifestação, a Maridt foi integrante do grupo Tayayá Ribeiro Claro até 21 de fevereiro de 2025, tendo sua participação encerrada por meio de duas operações sucessivas: a venda de cotas ao fundo Arlen em 27 de setembro de 2021 e a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding em 21 de fevereiro de 2025.


