PT aposta em pressão social, Hugo e projeto para blindar fim da escala 6x1
Petistas tentam preservar andamento da principal vitrine de Lula antes das eleições perante impacto político de derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo e derrubada de veto presidencial ao projeto da dosimetria

Depois de uma semana marcada por derrotas políticas graves no Congresso, o PT tenta evitar que todo o desgaste recente comprometa o andamento da análise do fim da escala trabalhista 6x1 – uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para antes das eleições.
Deputados do partido apontam três pilares centrais para sustentar o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema e impedir que os desdobramentos da derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo e da derrubada do veto de Lula ao projeto da dosimetria contaminem o debate.
O primeiro é a pressão popular. A avaliação é que a defesa de uma jornada de trabalho menor tem forte apelo social, especialmente entre trabalhadores de categorias mais impactadas. A estratégia é ampliar o debate público para transformar a proposta em uma pauta de mobilização social, elevando o custo político para os setores que resistirem à ideia – ainda mais em ano eleitoral.
Como mostrou a CNN, o próprio presidente Lula tem reforçado a defesa do fim da escala 6x1 em inserções do PT na televisão, por exemplo. O mesmo se repetiu em pronunciamento em cadeia nacional em comemoração ao Dia Mundial do Trabalho, feriado comemorado nesta sexta-feira, 1º de maio.
Para uma liderança petista, muitas pessoas não têm dimensão do que considera ser a gravidade da retomada do projeto da dosimetria. No entanto, é mais fácil as pessoas entenderem o impacto da redução da jornada de trabalho, com dois dias para descansar e estar ao lado da família. ‐Pega e tem força, inclusive entre a direita‑, avaliou.
O segundo ponto é o acordo firmado com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e partidos da base na Casa. A leitura no partido é de que, apesar das turbulências recentes, há um compromisso para se avançar com a tramitação do assunto, com perspectiva de votação na Câmara em maio.
Petistas também afirmam que Motta construirá um acordo com Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para que o fim da escala 6x1 não seja engavetada quando chegar ao Senado.
Por fim, o projeto de lei enviado pelo governo federal sobre o assunto é tratado como uma peça estratégica. Isso porque o projeto tramita em regime de urgência. Se não for analisado em menos de 45 dias na Câmara, passa a trancar a pauta do plenário da Casa, atrapalhando a votação de outras matérias. Seria uma maneira de pressionar pela PEC e, eventualmente, até mesmo ser uma alternativa a ela.
Apesar de apelos do Planalto, Hugo decidiu seguir com a tramitação da PEC, em meio a questões jurídicas e políticas, e não com o projeto do governo. Mesmo assim, governistas estão satisfeitos no momento com o acordo construído: o presidente da comissão especial é Alencar Santana (PT-SP) e o relator Léo Prates (Republicanos-BA), numa composição bem favorável ao Planalto.
A tendência é que a jornada de trabalho seja reduzida para 40 horas semanais, alterando diretamente a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), numa escala padrão de 5x2.



