Quero discutir como será relação com PT, diz Paulinho da Força

Presidente do Solidariedade retirou apoio à candidatura de Lula após ter sido vaiado em evento com o ex-presidente

Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, em entrevista à CNN
Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, em entrevista à CNN Foto: Reprodução/CNN

Felipe AndradeLudmila CandalVinícius Tadeuda CNN

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Após ter sido vaiado durante o encontro de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) com sindicalistas em São Paulo na última quinta-feira (14), o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, afirmou que agora quer discutir como será a relação com o PT durante o processo eleitoral.

Em reação ao episódio, o sindicalista decidiu cancelar o ato em que seu partido anunciaria apoio à candidatura do ex-presidente petista ao Palácio do Planalto. No entanto, Paulinho deixou claro que não há nenhuma possibilidade do Solidariedade apoiar o presidente Jair Bolsonaro (PL) — apesar da relação próxima que tem com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira.

Em entrevista à CNN neste sábado (16), Paulinho disse querer saber o que o PT pensa sobre a disputa presidencial, quais alianças o partido pretende construir e com quais outras legendas tem a intenção de se aliar.

“Não queremos ser o patinho feio da história, o Solidariedade quer compor para ganhar as eleições e ajudar a governar e mudar a situação do Brasil”, disse. “Se o PT quer uma aliança mais ampla, que isso fique claro a partir de agora”, completou o sindicalista.

Na opinião de Paulinho, para sair com a vitória nas eleições, é preciso construir uma aliança para “além das esquerdas” e que “pudesse chegar ao centro e até alguns partidos de direita”.

O sindicalista afirmou que não acredita na terceira via, e considera que os partidos que dizem atuar para esse tipo de candidatura devem, em cerca de dois ou três meses, se aliar a um dos principais polos para uma aliança ainda maior.

“Aliança não é só com partidos de esquerda, mas sim que possa ampliar e ter outros partidos, não só para ganhar a eleição mas para governar”, disse.

Vaias “organizadas”

Paulinho considerou que tem anos de experiência no meio sindical e que, por conta disso, sabe como as manifestações desse público funcionam. Sendo assim, ele considera que as vaias que recebeu na última quinta foram, de certa forma, “organizadas”.

“Eu não estava em um evento público com milhares de pessoas, era um evento sindical com militante, com dirigentes sindicais, eu sei como isso funciona. As pessoas te tratam bem em cima, mas lá embaixo organizam grupos para te vaiar”, afirmou.

O sindicalista disse que também ficou incomodado com o silêncio por parte dos dirigentes petistas no momento em que as vaias aconteceram. Para Paulinho, era preciso “que alguém do PT tomasse as dores e dissesse ‘olha, nós precisamos construir uma aliança maior'”.

“Na medida que ninguém do PT falou isso, nos deixou com a impressão de que o partido não gostaria de construir essa aliança maior, foi isso que nos incomodou”, afirmou. “Vaia faz parte do jogo, agora vaia organizada como aconteceu eu sei como funciona”, concluiu Paulinho.

Debate

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por todas as plataformas digitais.

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