Relator da 6x1: "Não há preço caro demais para ter esse benefício social"

Em discurso na comissão especial sobre a redução de jornada, Leo Prates (Republicanos-BA) defendeu o fim do modelo trabalhista atual

Álvaro Augusto, da CNN Brasil, em Brasília
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O relator da proposta que visa acabar com a escala de trabalho 6x1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), disse que "não há preço que seja caro demais a se pagar" em prol de se reduzir as jornadas dos trabalhadores.

Segundo o relator, não há impactos ao "poder público e à economia do país" que sejam importantes a ponto de não compensarem o "benefício social" gerado pelo fim da escala 6x1.

"Não há preço a pagar para ter um beneficio social tão grande quanto essa redução. Não há valor quanto a isso, não importa. Não há preço que seja caro demais pra gente pagar", disse Leo Prates.

A declaração do deputado foi dada nesta quarta-feira (29) durante a sessão que instalou a comissão especial da Câmara que analisará a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a redução de jornada.

O relator da proposta fez um discurso favorável ao fim da 6x1 e disse que seu relatório defenderá mudanças nas regras trabalhistas. Além disso, Prates disse que pretende apresentar o parecer rapidamente e que a votação do texto no colegiado vai ocorrer até o dia 26 de maio.

O "preço" citado por Prates se refere a possíveis impactos financeiros do fim da jornada 6x1 em setores da economia. Durante a sessão da comissão especial, alguns deputados contrários às mudanças defenderam que áreas como turismo e serviços podem ser prejudicados com as mudanças, e que a redução nas escalas deverá causar prejuízos ao Brasil.

Além disso, associações ligadas ao setor produtivo, como federações da indústria e a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) já se manifestaram contrariamente ao fim da escala 6x1, alegando que a medida causará danos econômicos.

Discurso do relator

O deputado Leo Prates (Republicanos-BA) abriu sua fala na comissão da escala 6x1 em tom emocionado. Prates tentou se colocar em uma posição "apartidária", e disse que no colegiado "não existe mais direita e esquerda, nem nada disso".

O relator também agradeceu ao presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), pela indicação ao posto e aos membros da comissão por chancelarem a escolha.

"Hugo Motta teve uma grande coragem ao me escolher como relator, um deputado de primeiro mandato para tocar uma discussão tão importante", disse Prates.

O deputado ainda citou os parlamentares que são ligados à direita e defensores da pauta de costumes no Congresso Nacional. Segundo Prates, a "defesa da família" está diretamente ligada a apoiar o fim da escala de trabalho 6x1.

"Quem discute o enfraquecimento da família brasileira deve pensar também sobre a jornada de trabalho. A escala 6x1 é um dos fatores que mais prejudicam as famílias brasileiras e podem contribuir para o detrimento delas", afirmou o relator da PEC.

Comissão especial da 6x1

A Câmara dos Deputados instalou, nesta quarta-feira (29), a comissão especial que vai debater a PEC (proposta de emenda à Constituição) sobre o fim da jornada de trabalho 6x1.

O colegiado confirmou o deputado Alencar Santana (PT-SP) como presidente e o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) como relator da proposta. Os nomes foram escolhidos pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), e anunciados na tarde da terça-feira (28).

A comissão é composta por 38 titulares e igual número de suplentes. O PL e a federação governista formada por PT, PC do B e PV ocupam a maior parte das representações. A sigla da direita tem sete cadeiras, enquanto o grupo de esquerda tem seis lugares.

O projeto que altera a Constituição para reduzir o número de horas da jornada de trabalho também precisa ser analisado pelo plenário da Câmara para ter efeitos práticos.

Em entrevista à CNN, Motta afirmou que o texto é um dos mais importantes a tramitar no Congresso em 2026.

O governo federal avaliou positivamente a escolha de Leo Prates como relator da PEC, como mostrou a CNN. O deputado, que deixou o PDT e se filiou ao Republicanos há um mês, presidiu a Comissão de Trabalho da Câmara. Na ocasião, chegou a ser relator de um texto que tratava da redução da jornada de trabalho.