Relembre casos de presidentes criticados por ausência em grandes tragédias

Diante das fortes chuvas na Bahia, Bolsonaro tem sido criticado por estar distante da região afetada; Lula e Dilma também demoraram a reagir a tragédias

Bolsonaro sobrevoou Bahia em 12 de dezembro; chuvas pioraram depois da data
Bolsonaro sobrevoou Bahia em 12 de dezembro; chuvas pioraram depois da data Isac Nobrega/ Reprodução Palácio do Planalto

Da CNN Brasil

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A postura do presidente Jair Bolsonaro (PL) diante das fortes chuvas que atingem a Bahia tem sido alvo de críticas. O presidente encontra reprovação no fato de não ter suspendido suas férias de final de ano para visitar as regiões afetadas com milhares de pessoas desalojadas ou desabrigadas e municípios alagados. Situações semelhantes também ocorreram com os então presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2008, e Dilma Rousseff (PT), em 2015.

Bolsonaro chegou a sobrevoar parte da região afetada no início de dezembro, quando as chuvas estavam no começo. Contudo, a situação se agravou enormemente após a primeira e única visita do presidente à região. No final de dezembro, o presidente visitou um parque de diversões na cidade de Penha, em Santa Catarina, acompanhado pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, no mesmo dia em que o número de mortos no estado da Bahia chegava a 25 em decorrência das enchentes.  

No entanto, Jair Bolsonaro não é o único presidente criticado pela demora no posicionamento sobre calamidades públicas e ausência nas regiões que passaram por grandes tragédias. Relembre outros casos:

Lula e as enchentes em Santa Catarina

No final de novembro de 2008, Santa Catarina passou pela maior tragédia climática da história do estado. Fortes chuvas afetaram mais de 1,5 milhão de moradores em cerca de 60 municípios catarinenses, causando a morte de 135 pessoas.  

No mesmo período, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tirava férias em Fernando de Noronha, em Pernambuco, acompanhado de filhos, netos e da primeira-dama Marisa Letícia. Lula foi duramente criticado pela demora em visitar a região afetada enquanto passeava por Noronha.  

À época, o ex-presidente chegou a dizer que se tratava da “maior catástrofe da história de Santa Catarina”. Ainda assim, o que ficou marcado foi a demora de um posicionamento do petista. As chuvas que causaram diversas inundações no estado catarinense tiveram início na madrugada do dia 22 de novembro, e Lula somente sobrevoou as regiões afetadas no dia 26, quando a situação já tinha se agravado.  

Como resposta, o ex-presidente assinou uma Medida Provisória (MP) destinando R$ 1,6 bilhão para enfrentar situações de calamidade no verão, não só em Santa Catarina, mas também em outros estados do Sul e do Sudeste atingidos por chuvas e nos estados do Nordeste afetados pela seca.  

Em 2015 o país se viu diante de outra grande tragédia ambiental, dessa vez provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). No dia 5 de novembro, o rompimento causou a morte de 19 pessoas e um grande mar de lama que devastou o Rio Doce, destruiu centenas de casas e causou um intenso impacto ambiental na região. 

A então presidente da República, Dilma Rousseff (PT), apenas visitou os locais afetados uma semana depois, no dia 12 de novembro. No dia da tragédia, Dilma estava em Alagoas participando do evento de inauguração de um trecho do Canal do Sertão. A demora foi criticada por representantes de órgãos federais e da sociedade civil.  

No sobrevoo ao local uma semana mais tarde, Dilma estava acompanhada da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que também estava indo à região pela primeira vez. No dia da visita, a ex-presidente chegou a afirmar que ia ao local “para fazer, não só para visitar”.  

Diante das críticas, Dilma rebateu que preferiu ter todas as avaliações preliminares em mãos para depois começar a discutir com as medidas cabíveis com a empresa. A então presidente também alegou que o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, visitou a região afetada pelo mar de lama no dia seguinte à tragédia.  

Bolsonaro criticado após tragédia de Brumadinho

Esta não está sendo a primeira vez em que Bolsonaro está enfrentando reprovação por sua ausência e demora na resposta diante de uma grande calamidade. Logo no primeiro mês da gestão na Presidência, Bolsonaro se viu diante do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG).  

À época, o presidente recém-empossado sobrevoou o local da tragédia um dia após a destruição da barragem. Mesmo assim, Bolsonaro foi criticado pela demora e por ter terceirizado responsabilidades diante da crise.

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