Renan Santos diz que Moraes age como "cabo eleitoral" de Flávio Bolsonaro

Em vídeo enviado à CNN, pré-candidato do Missão à Presidência disse que ministro do STF "vitimiza" família Bolsonaro com seu "autoritarismo bizarro"

Helena Prestes, da CNN Brasil*, Brasília
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O pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, disse, em vídeo enviado à CNN nesta segunda-feira (13), que o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) age como um "cabo eleitoral" do senador e também pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ).

"O Alexandre de Moraes, na bizarrice dele, se tornou uma espécie de cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro. [...] Às vezes eu acho que o Alexandre de Moraes, ele é o marqueteiro do Flávio, porque tudo que o Alexandre de Moraes quer e precisa é de um Bolsonaro para brigar", disse na gravação.

Para o pré-candidato, Moraes estaria utilizando embate com Flávio para abafar contratos de sua esposa, Viviane Bacci, com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master investigado por fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e milícia privada.

“Talvez as pessoas se esqueçam do envolvimento dele no escândalo do Banco Master, né? E aí as pessoas não falam disso. [...] Ele é muito útil para enfrentar os Bolsonaros, como se os Bolsonaros estivessem fazendo alguma coisa que importasse. Não importa para nada, só vem escândalo de corrupção lá do Flávio. E do outro lado, parece que o Alexandre de Moraes encontrou, vamos dizer, sua razão de ser, para todo mundo se esquecer do contrato da mulher dele”, continuou.

A CNN entrou em contato com o gabinete de Moraes para se manifestar sobre as declarações de Renan Santos. O espaço está aberto.

Moraes suspende visitas de Flávio

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, Jair Bolsonaro (PL). A decisão vem após o senador tornar pública uma carta redigida pelo ex-presidente na qual empodera o filho como porta-voz na disputa eleitoral deste ano.

Na decisão, Moraes ressalta que uma das medidas cautelares contra o dirigente de direita era a proibição “de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros”.

A decisão ainda abre um prazo de 48 horas para que a defesa do dirigente de direita se manifeste “sobre a possível desobediência à ordem judicial”, esclarecendo se o ex-presidente “tinha ciência da divulgação da carta nas redes sociais do seu filho”.

Em reação à decisão, os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro definiram como "ilegal e inconstitucional" a decisão do ministro do STF. Em nota, a defesa diz que vai recorrer judicialmente da decisão e ressaltou que o senador é advogado do ex-presidente. "A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado."

Na mesma linha, a campanha do senador definiu como "autoritária" e uma "clara interferência no jogo político" a decisão de Moraes. A decisão também foi classificada como "desproporcional" e uma forma de tornar o ex-presidente incomunicável. "Uma clara interferência no jogo político", afirma a nota assinada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha e líder da oposição no Senado.

*Sob supervisão de Mayara da Paz