Representatividade negra nas eleições de 2022

Brasil não pensa na diversidade, em distribuição de renda, na distribuição de cargos ou na distribuição de qualquer coisa associada a poder político ou econômico

Candidaturas com mais chances de vencer a eleição presidencial não contam com negros
Candidaturas com mais chances de vencer a eleição presidencial não contam com negros Foto: Natalia Riabchenko/Shutterstock

Maurício Pestana

Ouvir notícia

Gostaria de começar minha coluna fazendo uma pergunta: me fale o nome de algum governador preto de um estado brasileiro que você lembre? Difícil, não é?

Então me fale o prefeito de uma grande capital? Também não lembra? Mais fácil: de um grande município — caso esteja em São Paulo, pode ser Guarulhos, São Bernardo, Santo André, Ribeirão Preto? Nada!

Não, você não vai lembrar. Então vamos para ministro de estado? Nenhum!

Não, não estamos na Noruega, Rússia, Suécia nem Dinamarca. Estamos no segundo maior país negro do mundo. Essa falta de representatividade acontece porque o Brasil não pensa na diversidade, em distribuição de renda, na distribuição de cargos ou na distribuição de qualquer coisa associada a poder político ou econômico.

Agora vamos pensar lá na América do Norte, Estados Unidos da América, centro do capitalismo, país que tem fama de racista e não é por acaso, afinal lá é o berço da Ku Klux Klan, se espalham grupos racistas, há um passado de leis segregacionistas, uma população negra que não ultrapassa os 13%, heranças de um passado escravocrata como o nosso…

Mas mesmo assim aquele país tem prefeitos em cidades como Washington, Atlanta e Chicago, e algumas dessas cidades são governadas por mulheres negras. Aliás, a vice-presidente deles também é uma mulher negra e já tiveram até um presidente negro.

Diante dos avanços da luta racial lá por conta da morte de George Floyd, que ecoou mundo afora influenciando mudanças no setor privado, no mundo da comunicação, nas universidades, enfim, em vários setores da sociedade civil, hoje palavras como “inclusão”, “diversidade” e “representatividade” estão na ordem do dia, menos na política brasileira, que não apresenta sinais de mudanças.

Dos pré-candidatos com chances reais de chegar à Presidência da República, do primeiro ao quinto colocado, nenhum é negro, nenhum é negro ou tem negro em sua chapa, uma vergonha nacional e internacional. Ninguém diz nada, e eles não estão nem aí!

Dias atrás foi dado o primeiro passo que, apesar de todas as falhas, pode ser uma semente, um início que é distribuição mais decente nas candidaturas negras. Porém, enquanto famílias oligárquicas brancas, algumas inclusive descendentes de escravocratas, dominarem a política e os partidos políticos no Brasil, dificilmente veremos mudanças.

Respondendo à pergunta do início deste texto, minha geração conseguiu ver apenas dois governadores pretos: Alceu Colares e Albuino Azeredo — ambos exerceram mandatos no século passado.

Veja os prováveis candidatos a presidente em 2022:

Mais Recentes da CNN