Tarcísio critica fala de CEO da Enel sobre apagões em SP: "Blasfêmia"
Governador de São Paulo reagiu à declaração de Flavio Cattaneo, que afirmou que "apenas Jesus Cristo poderia resolver" o problema

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta terça-feira (24) a declaração do CEO global do grupo Enel, Flavio Cattaneo, sobre os apagões recorrentes no estado e classificou a fala como “blasfêmia”.
"Eu quero lamentar a fala sobre Jesus Cristo porque é blasfêmia. A pior coisa que existe é a blasfêmia, a gente não pode usar o nome de Deus em vão", declarou Tarcísio a jornalistas.
A manifestação ocorre após o executivo afirmar que as interrupções de energia em São Paulo estão relacionadas a uma característica estrutural da infraestrutura elétrica da cidade.
Durante o “Enel Capital Markets Day 2026”, realizado na segunda-feira (23), em Milão, na Itália, Cattaneo disse que a rede elétrica da capital paulista é predominantemente aérea e passa por áreas com arborização urbana densa.
Segundo Cattaneo, em situações de chuvas fortes e eventos climáticos extremos, seria “impossível evitar o blackout”.
“Existe uma situação particular porque a infraestrutura em São Paulo não é subterrânea, é totalmente aérea e passa por dentro das árvores, não pelas laterais. Isso é impossível porque há uma tempestade. É uma situação especial. É impossível evitar o apagão”, disse o executivo.
Para Cattaneo, “apenas Jesus Cristo poderia resolver” o problema.
Em resposta, Tarcísio relatou que a fala é “profundamente lamentável” e demonstra falta de compromisso e de capacidade da empresa para resolver os problemas no estado.
O governador declarou que a população convive com apagões e que, se a empresa não tem condições de realizar os investimentos necessários, deveria admitir.
Tarcísio também afirmou que a empresa não tem condição de prestar o serviço de forma adequada e defendeu uma cobrança mais incisiva por parte do Ministério de Minas e Energia, da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da imprensa. Para ele, o governo estadual já notificou novamente a Aneel e aguarda providências.
"Na boa, não vão resolver, esses caras não vão dar conta. Eles não têm condição, não vão fazer, não querem fazer, fracassaram onde estiveram. Não tem um estado onde eles prestem serviço que o serviço seja bom", comentou.
Tarcísio ainda declarou que a fala do executivo indica que a companhia não dará conta do trabalho e defendeu que o governo federal apresente uma solução para o problema, afirmando que São Paulo merece um serviço adequado.
Em nota enviada à CNN Brasil a Enel citou que: "Não procede a afirmação de que a Enel não tem capacidade de investimento. Pelo contrário, a companhia está realizando o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico."
Veja a nota da Enel na íntegra:
O Grupo Enel esclarece que, em resposta às declarações do governador e do prefeito de São Paulo, é importante esclarecer alguns pontos fundamentais:
• Não procede a afirmação de que a Enel não tem capacidade de investimento. Pelo contrário, a companhia está realizando o maior ciclo de investimentos da história da concessão em São Paulo, com aportes robustos e contínuos voltados à modernização da rede e ao aumento da resiliência do sistema elétrico.
• Também não é verdadeira a narrativa de que a companhia fracassou em todos os mercados onde atua. A Enel opera distribuidoras em diversos países, muitas delas reconhecidas por indicadores de qualidade entre os melhores do setor em nível global.
• Sobre a fala do CEO Flávio Cattaneo durante o Capital Market Day, posteriormente detalhada em coletiva de imprensa, a companhia esclarece que a citação amplamente divulgada se referia à limitação humana diante da força dos ventos observada em eventos climáticos extremos. Por isso, a Enel apresentou um conjunto de soluções estruturais para São Paulo, como o avanço no enterramento de redes e o manejo adequado da vegetação urbana, de responsabilidade da Prefeitura.
• Por fim, cabe registrar que o atual debate, politizado e frequentemente instrumentalizado, não contribui para construção de uma solução definitiva e necessária para São Paulo.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


