Exame em casa, filme grátis e álcool gel: golpes em meio à crise do coronavírus


Jairo Nascimento Da CNN Brasil, no Rio
20 de março de 2020 às 18:08 | Atualizado 20 de março de 2020 às 18:09
Mulher colocando álcool em gel na mão

Coronavírus aumenta a demanda por álcool em gel; cuidado com golpes

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Tão importante na comunicação, o celular também tem sido usado para o compartilhamento de notícias falsas durante a pandemia da COVID-19.

Com a falta de álcool em gel nos mercados e farmácias, uma mensagem sobre a distribuição do produto chamou a atenção de muitos. Num link compartilhado via WhatsApp, o texto explica que a empresa Ambev estaria distribuindo 1 milhão de unidades de álcool em gel para hospitais e a população num geral e que, para recebê-lo, seria preciso fazer um cadastro. A empresa, de fato, está produzindo 500 mil unidades do produto para distribuição em hospitais, mas ressalta que o resto é boato. “O link que direciona para doação de álcool em gel é falso. A Ambev esclarece que a produção de 500 mil unidades de álcool em gel será doada a hospitais públicos municipais de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, locais onde há o maior número de casos confirmados do novo coronavírus.”, afirmou a companhia por meio de nota.

Outro link compartilhado usa a empresa de streaming Netflix.

De acordo com a publicação, basta um cadastro para ter acesso ao conteúdo da plataforma gratuitamente durante o período de isolamento. Após contato da reportagem com a Netflix, a empresa informou que não anunciou nenhuma oferta especial e que demais informações podem ser conseguidas com plataforma de atendimento ao cliente.

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Mitos e verdades sobre a transmissão do vírus

Mais uma fake news, de acordo com o especialista em cibercrimes da empresa Apura Cybersecurity Intelligence, Sandro Süffert. Ele alerta que tais publicações expõem computadores e celulares a vírus. “Você pode acabar clicando em um arquivo no seu computador que pode acabar roubando todas suas informações, o que você digita, suas informações bancárias. O mesmo vale para celular, tem aplicativos falsos e que são usados para roubar informações. “Eles emulam, alteram um pouco a ação das empresas. Tem um link e a pessoa vai e clica”, alerta o especialista.

Ele diz que é preciso tomar cuidado até para buscar informações sobre estes golpes, pois “mesmo ao procurar no Google há um risco muito grande. Infelizmente, existem links patrocinados que são de fraude”. O resultado pode ser roubo de informações. 


Uma mensagem que circula por grupo de WhatsApp divulga números do Centro de Informações Estratégicas e Resposta de Vigilância em Saúde, o CIEVS, municipal e estadual.

Nas mensagens, os telefones não têm DDD e nem se faz referência a qual estado ou cidade os números pertencem. O texto ainda diz: “Esses são os números que devemos ligar para informar sobre casos suspeitos de COVID-19, eles vão fazer o teste em casa. Precisamos divulgar!”.

A Secretaria de Saúde do estado do Rio de Janeiro explicou que a notícia é falsa, os números de telefone são inverídicos e exames da COVID-19 são feitos somente em pacientes em estado grave dentro de hospitais habilitados. O CIEVS é um órgão da Vigilância em Saúde para enfrentamento de emergências em saúde pública e desenvolve ações em subordinação às secretarias de saúde em cada estado. 

De acordo com Sandro, a melhor orientação é de sempre buscar as fontes oficiais ou “na dúvida, não compartilhar”.