OMS diz que pandemia de Covid-19 continua em nível elevado no Brasil


Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
10 de agosto de 2020 às 10:42 | Atualizado 10 de agosto de 2020 às 10:43

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta segunda-feira (10) que a pandemia do novo coronavírus continua em nível elevado no Brasil, apesar de a curva de contágio da doença ter achatado um pouco no país.

Além disso, com entre 50 mil e 60 mil casos por dia e uma taxa de reprodução que varia de 1,1 a 1,5, a OMS considera que os sistemas de saúde brasileiros continuam sob pressão e que a doença continua se espalhando ativamente na maior parte do país.

“Muitos indicadores do Brasil apontam para uma continuada transmissão comunitária, uma continuada pressão sobre o sistema de saúde, mesmo que os casos só aumentem na proporção de 10%, 12% por semana”, disse Mike Ryan, especialista em emergências da OMS, ao ser questionado pela CNN sobre a situação da pandemia no país.

Ele afirmou ainda que a hidroxicloroquina, medicamento defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus apoiadores como um tratamento efetivo contra a Covid-19, não é a solução ou uma “bala de prata” contra o novo coronavírus.

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“Cada país tem o direito soberano de decidir o que acredita ser a melhor ação para lidar clinicamente com a doença. Mas no momento, considerando todos os estudos clínicos randomizados que já foram publicados, a hidroxicloroquina não provou ser um tratamento efetivo contra a Covid-19.”

Ryan afirmou ainda que é preciso manter o incentivo ao distanciamento social, ao uso de máscaras de proteção e à higienização constante de mãos. “É muito difícil para muitas pessoas no Brasil, que vivem em situações de aglomeração e pobreza, e o governo deve dar apoio para estas comunidades”, afirmou. 

“Você não pode empoderar pessoas apenas com palavras, você precisa empoderar as pessoas com recursos e conhecimento.”

Por fim, o diretor da OMS comentou também sobre as vacinas contra o novo coronavírus que estão na fase 3 dos estudos clínicos e disse que, no momento, não há necessidade de suspeitar de qualquer uma delas.

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“Todas essas vacinas passam pela mesma fase 3 de testes para serem disponibilizadas ao público. (...) O que precisamos analisar é a segurança e eficiência dos testes e a OMS – e seu grupo de especialistas em imunização – está de olho nos resultados destes testes” disse.

“A OMS não emitirá nenhuma orientação sobre qualquer vacina a menos que tenha visto e examinado seus dados para garantir a segurança e eficácia da vacina.”

Aumento nas doações

Também nesta segunda, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que há uma “vasta lacuna global” entre os recursos necessários para o enfrentamento da pandemia e os fundos que já foram doados ao redor do mundo.

"Só para as vacinas, serão necessários mais de US$ 100 bilhões", disse Tedros. “Parece muito dinheiro e é. Mas é pouco em comparação com os US$ 10 trilhões que já foram investidos pelos países do G-20 em estímulos fiscais para lidar com as consequências da pandemia até agora."