Banco genético criado por brasileiros estuda o que causa agravamento da Covid-19


Roberta Russo, Renata Souza e Letícia Brito, da CNN, em São Paulo
30 de setembro de 2020 às 12:10

Depois do anúncio sobre a criação de um banco de dados com informações genéticas de 1.171 idosos — o maior da América Latina  - na semana passada, a comunidade científica espera que os dados possam ajudar na evolução de tratamentos para doenças raras e também nas pesquisas sobre os genes de quem tem quadros mais graves da COVID-19.

A reportagem da CNN visitou o laboratório na Universidade de São Paulo (USP) onde o sequenciamento dos genes foi feito. Um dos pesquisadores a frente do estudo, Michel Naslavsky, professor do IB-USP e pesquisador do centro de estudos do genoma humano, explica que a miscigenação dos brasileiros ficou ainda mais evidente: “os brasileiros são muito diversos. O Brasil tem um histórico particular de miscigenação, chegada de europeus até formar a população que a gente conhece. É isso que fica claro no estudo dos genes.”

Até a formação desse banco, as referências genéticas usadas para pesquisas vinham de fora do país, principalmente da Europa. O pesquisador explica que um entendimento melhor sobre a formação do nosso DNA permite o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes de doenças como Parkinson e Alzheimer, além do diagnostico precoce:

“Nos últimos anos, a comunidade científica tem reforçado que se ficarmos somente olhando para uma população, perdemos a capacidade de analisar as doenças de maneira completa. Por exemplo, o que causa Alzheimer e diabetes em uma população, podem não ser necessariamente os mesmos genes que em outras populações.”

O especialista explica que a chamada “medicina de precisão”, que visa tratar os pacientes respeitando as individualidades genéticas e histórico próprios, pode evoluir no país nos proximos anos.

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A geneticista Dra. Mayana Zatz, também em entrevista à CNN Brasil explicou que “a partir desse estudo nós podemos estimar qual a incidência de várias doenças na nossa população". Isso porque a população brasileira é muito miscigenada. “Então, algumas doenças que são comuns na população europeia são mais raras na nossa população”, afirmou

O banco de dados com as diversas variações do genoma de idosos brasileiros servirá para compreendermos casos como o da Vovó Rosinha, 90, que chegou à melhor idade sem grandes problemas de saúde. Famosa por vídeos no TikTok com a sua neta, com mais de 340 mil seguidores, ela atribui a boa saúde ao contato com os netos.

Representação gráfica do DNA

Representação gráfica do DNA

Foto: Arek Socha/Pixabay