Após polêmica sobre vacina chinesa, Doria divulga vídeo de reunião com Pazuello


Leonardo Lellis Da CNN, em São Paulo
21 de outubro de 2020 às 15:05 | Atualizado 21 de outubro de 2020 às 15:07

 

Depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagir negativamente a um acordo de intenção de compra, pelo Ministério da Saúde, de doses da vacina do laboratório chinês Sinovac desenvolvida em parceira com o Instituto Butantan, vinculado ao governo de São Paulo, o governador paulista, João Doria (PSDB), divulgou a íntegra do encontro em que o ministro Eduardo Pazuello anunciou o protocolo de intenções a 24 governadores estaduais reunidos em videoconferência.

Nesta quarta-feira (21), Bolsonaro disse que não permitiria a compra das vacinas sem comprovação. “Para o meu Governo, qualquer vacina, antes de ser disponibilizada à população, deverá ser COMPROVADA CIENTIFICAMENTE PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE e CERTIFICADA PELA ANVISA”, escreveu Bolsonaro, se referindo à Coronavac como “a vacina chinesa de João Doria”.

Na reunião com governadores, Pazuello afirmou que qualquer vacina em desenvolvimento só seria disponibilizada após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "O Brasil terá as vacinas seguras, todas registradas pela Anvisa", disse. O ministro acrescentou que, como o Instituto Butantan já domina a mesma tecnologia usada na vacina chinesa, poderá fabricá-la no país — o que traz a vantagem, explicou, de permitir a análise diretamente da Anvisa sem depender de autoridades chinesas.

Ainda segundo o ministro, a pasta espera que, com este acordo, o Brasil tenha a vacina desenvolvida em parceria com o instituto chinês Sinovac um mês antes do imunizante pesquisado pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford, na Inglaterra. Esta vacina é objeto de um acordo com o governo federal.

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"A vacina do Butatan será a vacina brasileira. Com isso o registro entra pela Anvisa, não pela agência equivalente chinesa. Isso nos dá mais segurança e liberdade de manobra. Com esse movimento e a velocidade do processo, nós acreditamos que a vacina do Butantã chegará com um mês de antecedência em relação a da AstraZeneca. A gente precisa cobrir já essa primeira lacuna", disse.

Na reunião com os governadores, Pazuello acrescentou esperar que a vacina do Butantan já esteja disponível para uso em janeiro, enquanto no caso da AstraZeneca, este imunizante só deve ficar pronta a partir deste mês — podendo ser fevereiro, citou. "Conforme o processo ande daqui atá lá, compramos mais, seguimos o modelo incial [da vacina da AstraZeneca] ou entram outras vacinas", disse.

O acordo foi expresso em um termo assinado pelo ministro. "Nesta oportunidade, informo a intenção deste Ministério da Saúde em adquirir 46 milhões de doses da referida vacina (Vacina Butantan - Sinovac/Covid-19), em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, ao preço estimado de US$ 10,30 (dez dólares e trinta centavos) por dose, seguindo as especificações da vacina e o respectivo cronograma de entrega", diz o ofício.

O documento indica que "não possui caráter vinculante", já que só é possível prosseguir com o processo de aquisição após o registro da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).