Para Pazuello, aumento de casos em Manaus não é por variante do coronavírus

Ministro disse ter feito "tudo o que tinha que fazer" por cidade com sistema de saúde colapsado

Anna Satie, da CNN em São Paulo
18 de janeiro de 2021 às 18:08 | Atualizado 18 de janeiro de 2021 às 18:11
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello
Foto: Reprodução (18.jan.2021)

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse nesta segunda-feira (18) que o aumento de casos de Covid-19 em Manaus não pode ser atribuído à nova cepa do coronavírus

"Estamos vivendo um recrudescimento desses contágios da primeira onda, não tem nada a ver com a mutação do vírus", afirmou durante entrevista coletiva para listar as ações feitas na cidade, cujo sistema de saúde colapsou na última semana. 

No entanto, Pazuello admitiu que a nova cepa ainda está sendo estudada. "Estamos com a Fiocruz e a Secretaria de Vigilância em Saíde fazendo essa análise, se [a mutação] causa gravidade maior ou se há qualquer tipo de impacto para as vacinas que estamos projetando para o país". 

O ministro disse ter feito "tudo o que tinha que fazer" pela capital do Amazonas e que não havia a "menor indicação de falta de oxigênio" na cidade quando esteve lá, em 4 de janeiro. 

"A elevação foi muito rápida", disse. "Só soubemos quando a White Martins [empresa que fornece oxigênio] nos informou. Só soubemos no dia 8. Quando chegamos lá no dia 4, o problema era outro". 

Segundo ele, centenas de cilindros de oxigênio já foram transportados para a cidade desde o dia 10 de janeiro. Pazuello disse que esperam também que um avião Galaxy dos Estados Unidos traga mais oxigênio de Miami. 

O ministro disse ainda que Manaus tem pouquíssima estrutura de saúde e que, normalmente, já trabalha com 70 a 80% de ocupação de leitos. 

Pazuello avalia que o que acontece na capital amazonense pode se replicar em outras cidades ao longo de 2021 e que a maneira de combater isso é a vacina, além da manutenção de estruturas nas regiões que poderão sofrer esse impacto. 

"É preciso utilizar a técnica do atendimento precoce, difundir para que se possa permitir a chance [da doença] não se agravar. Vários remédios deram algum tipo de resultado e os médicos sabem o que deve ser prescrito para cada um dos pacientes deles", recomendou ele, que negou durante o evento que o ministério tivesse dado qualquer orientação sobre medicamentos.

Desde maio de 2020, a pasta tem um protocolo que recomenda hidroxicloroquina e azitromicina para casos leves da doença. Ainda não há nenhum remédio com eficácia comprovada para Covid-19. 

O ministro informou também que ainda não há data para a chegada das doses da vacina de Oxford/AstraZeneca importadas da Índia. 

Inicialmente, era previsto que o imunizante desembarcasse no Brasil neste sábado (16), mas a Índia pediu o adiamento da exportação das doses. O país começou a própria campanha de vacinação durante o fim de semana. 

"Temos reuniões diplomáticas com a Índia todos os dias. Temos a sinalização de que isso poderá ser resolvido nos próximos dias dessa semana", disse Pazuello. "Estamos contando com essas 2 milhões de doses para atender mais à população".