OMS critica países ricos por ‘pular a fila’ das vacinas contra o coronavírus

Diretor geral Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que a falta de distribuição equitativa impedirá o mundo de acabar com a pandemia

Tim Lister, da CNN
27 de janeiro de 2021 às 11:29 | Atualizado 27 de janeiro de 2021 às 12:22
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS
Foto: Reuters

O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, acusou os países ricos de tentar pular a fila para a distribuição de vacina contra o coronavírus e descreveu a distribuição equitativa ao redor do mundo como um imperativo moral e essencial para acabar com a pandemia.

Em uma sessão na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Tedros disse que “a promessa de acesso equitativo está em grave risco”.

“A abordagem do tipo ‘eu primeiro’ deixa os mais pobres e vulneráveis do mundo em risco”, disse ele, e acrescentou que também é contraditório. “Muitos países têm comprado mais vacinas do que precisam”.

“Agora enfrentamos o perigo real de que, embora as vacinas tragam esperança para os que vivem nos países ricos, grande parte do mundo poderia ficar para trás”, completou Tedros.

Ele disse que algumas empresas e países estão fazendo acordos bilaterais em uma tentativa de pular para a frente da fila. Isto está elevando os preços e significa que estão “revertendo” o mecanismo Covax, um programa da OMS que compra vacinas a granel para distribuir aos países mais pobres.

Os 75% das doses distribuídas foram distribuídas em apenas 10 países, disse Tedros, e não é correto que os adultos mais jovens e saudáveis dos países ricos possam receber a vacina antes dos trabalhadores da saúde e das pessoas idosas dos países mais pobres, acrescentou.

O surgimento de novas variantes da Covid-19 fez com que a implementação rápida e equitativa das vacinas seja ainda mais importante, completou.

Tedros disse que o programa Covax da OMS garantiu contratos por 2 bilhões de doses de cinco produtores este ano e tem opções para 1 bilhão de doses adicionais no próximo ano. Segundo ele, as primeiras entregas das doses adquiridas através do programa devem ocorrer no próximo mês.

No entanto, acrescentou que a OMS ainda precisa de recursos para concluir as compras contratadas para este ano. Covax precisa ter acesso a essas doses de imediato, não às “sobras de muitos meses a partir de agora” disse Tedros.