Hospitais particulares afirmam ter kit intubação somente para os próximos 5 dias

Todo o estoque dos medicamentos usados em pacientes graves da Covid-19 foi requisitado pelo Ministério da Saúde há uma semana, mas repasse ainda não foi feito

Produzido por Thiago Felix, da CNN, em São Paulo
26 de março de 2021 às 16:20

O diretor de Relações Governamentais da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Marco Aurélio Ferreira, afirmou nesta sexta-feira (26), em entrevista à CNN, que o estoque de medicamentos para o chamado kit intubação, usado no tratamento de pacientes graves da Covid-19, dura somente mais cinco dias.

Segundo Ferreira, a requisição de todo o estoque das fabricantes desses medicamentos, feita pelo Ministério da Saúde na semana passada, prejudicou o fornecimento às instituições privadas.

"Isso desestabilizou, porque, de um lado, se tem aumento no número de internações e, do outro, a não entrega desses medicamentos foi diminuindo os nossos estoques", afirmou Ferreira. "Hoje, grande parte dos nossos hospitais estão com estoques diminuídos consideravelmente. Temos de 4 a 5 dias desses medicamentos [disponíveis]", completou.

Na quarta-feira (24), o Ministério da Saúde afirmou à CNN que garantirá 15 dias de estoque de medicamentos do kit intubação aos estados. Os remédios começaram a ser enviados na terça-feira (23) e a previsão era que em até 72 horas chegassem aos hospitais.

Medicamentos do kit intubação são essenciais para o tratamento de pacientes graves da Covid-19
Foto: CNN Brasil

O representante da Anahp, entretanto, disse que isso ainda não aconteceu e que hospitais particulares buscam entre si uma solução a curto prazo, pois, em 15 dias, não haverá nenhum medicamento disponível para a intubação de pacientes da Covid-19 na rede particular do país, segundo ele.

"Após diálogo com a Anvisa, nos autorizaram a importação desses medicamentos. Porém, isso pode solucionar o problema a médio prazo. Todas essas importações demandam transporte, logística e compras no exterior. Podemos ter acessos aos medicamentos em 20 dias. Mas, num curto espaço de tempo, de 4 a 5 dias, temos um grande problema que precisa ser resolvido", disse Ferreira.

O maior impasse, segundo a Anahp, é que a requisição do Ministério da Saúde impede que a indústria forneça os medicamentos de forma direta aos hospitais particulares, que dependem do repasse da pasta às instituições.

"O ministério precisa vir a público colocar como será feita essa distribuição", apelou Ferreira. "Estamos pressionando porque precisamos de soluções a curto prazo. A longo prazo, sim, as importações vão ajudar, mas precisamos que os medicamentos venham para os hospitais, sejam pequenos, médios ou grandes."