Virologista: 'Chegada de variante em momento de flexibilização é preocupante'

Anderson Brito, da Universidade de Yale (EUA) reforça a necessidade de maior controle e restrição nas fronteiras

Produzido por Fernanda Pinotti, da CNN em São Paulo (com supervisão de Elis Franco)
22 de maio de 2021 às 12:05

O ministério da Saúde está acompanhando os primeiros casos de infecção pela variante do novo coronavírus que teve origem na Índia. Seis casos de Covid-19 causados por este cepa foram confirmados no Maranhão. No Ceará, a Secretaria Estadual de Saúde também monitora um suspeito que testou positivo. 

Em entrevista à CNN, o virologista Anderson Brito, da Universidade de Yale (EUA), disse que é preciso estar atento ao momento em que a variante originária da Índia chega ao país, uma vez que coincide com o período de afrouxamento das medidas restritivas.

“Essa variante chega agora nas imediações das fronteiras do Brasil. É preocupante, porque a gente sabe que estamos em uma fase em que as pessoas estão se expondo mais, com a falsa noção de que a pandemia acabou. E ela não acabou. O número de casos, em função disso, tem aumentado."

Para conter a entrada da cepa no Brasil, Anderson Brito lembra que a Anvisa recomendou a proibição de voos vindos da Índia.

“A Anvisa emitiu uma recomendação para que impeça a entrada de voos vindos da Índia. Demorou-se dez dias para que essa medida fosse implementada. Dez dias para uma doença infecciosa como esta é bastante tempo. O tempo que se leva para uma variante da Índia chegar ao Brasil é questão de algumas horas de voo."

Ele considera ainda fraco o controle de barreira sanitária.

"Muitas vezes será pedido só um teste negativo de PCR e que a pessoa preencha um formulário. Não será feito um teste. A gente tem um controle muito fraco de fronteiras no que diz respeito a uma doença infecciosa como esta", afirma.

Anderson Brito, virologista da Universidade de Yale (22 de maio de 2021)
Foto: Reprodução / CNN