Ainda não é possível confirmar reinfecção pelo novo coronavírus, diz médico

Pneumologista explica que sistema imunológico humano pode se imunizar contra vírus e bactérias de forma permanente ou temporária

Profissional de saúde prepara leito em hospital provisório de Manaus durante pandemia
Profissional de saúde prepara leito em hospital provisório de Manaus durante pandemia Foto: Bruno Kelly - 13.abr.2020/ Reuters

Débora Freitas, da CNN em São Paulo

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A comunidade científica ainda tem muitas dúvidas sobre o comportamento do novo coronavírus, e uma das principais diz respeito à possibilidade de reinfecção — ou seja, se alguém que já foi infectado pode ficar doente novamente. No início da semana, a Coreia do Sul relatou que mais de 100 pessoas que já estavam recuperadas apresentaram novamente os sintomas da COVID-19. 

O pneumologista Ítalo Bonatto atende pacientes com suspeita de coronavírus ou que se recuperaram da COVID-19. Segundo ele, ainda não se sabe se o corpo humano pode produzir uma imunidade permanente contra a doença.

“Ainda não se sabe se, frente a uma infecção pela COVID-19, o organismo vai ser capaz de produzir imunidade permanente, ou seja, eu tive a infecção, produzi anticorpos e eles ficaram lá na minha memória, no meu HD, por exemplo”, disse o médico à CNN nesta quinta-feira (16). 

De acordo com Bonatto, o que se observa é que, passada a fase aguda da doença, as manchas desaparecem totalmente do pulmão dos pacientes. No entanto, o médico ressalta que é muito cedo para afirmar que isso vai acontecer com todo mundo que for infectado pelo novo vírus.

“O que a gente sabe é que, assim como o H1N1, é uma gripe que realmente traz um dano para o tecido pulmonar. A pandemia [de H1N1] foi em 2009, então de lá para cá se estudou muito sobre as sequelas que ela trouxe ao pulmão dos pacientes”.

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O pneumologista também explica que o sistema imunológico humano pode se imunizar contra vírus e bactérias de forma permanente ou temporária.

“Podemos ter uma infecção e o organismo produzir anticorpos contra ela. Nesse caso, se a pessoa entra em contato novamente com o vírus e já tem isso armazenado, o sistema imunológico libera esses anticorpos para combater a infecção e a pessoa não adoece. Mas, a partir do momento que esses anticorpos deixam de ser produzidos, a pessoa pode novamente se reinfectar”, disse. 

Ainda segundo o pneumologista, os vírus podem se modificar e infectar as pessoas novamente. No caso dos vírus que atacam o sistema respiratório, as pesquisas mostram que as mutações acontecem a cada cinco ou dez anos.

Até esta quinta, o Brasil registrou 30.245 casos do novo coronavírus, com 1.924 mortes, segundo o Ministério da Saúde.

 

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