Anvisa condiciona uso de testes encalhados a análises mensais de qualidade
Agência afirmou que se trata de um aval "excepcional" para consumo do produto além dos oito meses de validade original

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O número de unidades encalhadas é superior aos cerca de 6,6 milhões de testes deste tipo feitos no Sistema Único de Saúde (SUS). Considerado o produto de diagnóstico mais preciso, por encontrar o vírus ativo no organismo, o teste RT-PCR analisa amostras coletadas da nasofaringe por um cotonete.
O governo de Jair Bolsonaro tinha como meta realizar mais de 24 milhões de exames RT-PCR até dezembro, mas não alcançou 30% desse número.
A Anvisa anunciou o aval para uso do teste durante audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (9). A decisão "leva em consideração a situação epidemiológica e a importância da testagem", disse Cristiane Gomes, diretora da agência.
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No começo da semana, a Anvisa aprovou a ampliação da validade do mesmo produto comprado pelo ministério, da marca coreana Seegene. Mas, essa extensão vale apenas para as próximas importações. O aval para esgotar o estoque do ministério foi dado em paralelo.
No estoque do ministério, cerca de 2,7 milhões de exames vencem em dezembro e 3,9 milhões, em janeiro. Esses produtos terão validade estendida até abril e maio de 2021, respectivamente. Os Estados também têm centenas de milhares de exames em estoque.
Gestores do SUS, porém, temem que o exame siga ocioso mesmo com a ampliação da validade - e volte a vencer em quatro meses. Isso porque faltam outros insumos para a análise, como reagentes de extração de RNA.
O ministério tem reagentes desse tipo suficientes para análise de 400 mil amostras e afirma que comprará produto para mais 8 milhões de extrações no fim desta semana.
O secretário Nacional de Vigilância Sanitária, Arnaldo Medeiros, disse aos deputados que os exames devem, sim, ser esgotados. Além desse estoque, o governo tem contrato para receber mais 7,65 milhões de testes RT-PCR da Fiocruz. Essa produção será iniciada quando houver demanda do ministério.