Caminhar menos de 30 minutos funciona? Especialistas explicam

Exercícios diários entre 20 e 30 minutos são suficientes para evitar o sedentarismo, mas estudos indicam que a continuidade do movimento potencializa os benefícios para o corpo e o cérebro

Beto Souza, da CNN Brasil, São Paulo
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A prática regular de atividade física, mesmo em períodos considerados curtos, é fundamental para a saúde cardiovascular e a preservação da memória. Especialistas indicam que o hábito de caminhar entre 20 e 30 minutos por dia auxilia na prevenção de doenças neurodegenerativas e reduz o risco de mortalidade.

No entanto, evidências recentes sugerem que a forma como esses minutos são distribuídos influencia diretamente os resultados obtidos.

Sedentarismo e tempo mínimo

De acordo com a cardiologista Jaqueline Scholz, professora da Faculdade de Medicina da USP, realizar entre 20 e 30 minutos de exercícios diários é o patamar necessário para combater o sedentarismo.

Essa atividade não precisa ser realizada necessariamente em academias; movimentos corriqueiros como subir escadas, caminhar em trajetos curtos em vez de usar transporte e até realizar tarefas domésticas contribuem para manter o corpo ativo.

As associações médicas recomendam, como medida preventiva clássica, a prática de 30 minutos de caminhada cinco vezes por semana. Esse volume de exercício é capaz de reduzir a incidência de doenças cardiovasculares e de alguns tipos de câncer.

Benefícios para a saúde cerebral

O médico Roberto Kalil ressalta que a caminhada de 30 minutos atua como uma "vassourinha" no cérebro, auxiliando o sistema glinfático a limpar toxinas que podem prejudicar o órgão.

Esse hábito é um dos pilares para a preservação da saúde mental e a prevenção de doenças como o Alzheimer. Além do exercício, neurologistas destacam que o sono de qualidade e o controle de fatores como ansiedade e depressão são determinantes para evitar o declínio cognitivo.

A importância da duração contínua

Embora o exercício fracionado ajude a sair da inatividade, um estudo espanhol publicado no Annals of Internal Medicine revelou que a duração da caminhada pode ser mais importante do que o número total de passos dados no dia.

A pesquisa indicou que pessoas que caminham por períodos contínuos de pelo menos 15 minutos apresentam riscos de morte significativamente menores do que aquelas que acumulam passos em trajetos muito breves, inferiores a cinco minutos.

O movimento contínuo ativa de forma mais sustentada os mecanismos metabólicos, melhora a circulação sanguínea e aumenta a flexibilidade das artérias. Portanto, para quem busca longevidade, o ideal é aliar a regularidade de 20 a 30 minutos diários com momentos de atividade física ininterrupta.