CNN Sinais Vitais explica como manter o diabetes sob controle

Alimentação saudável e balanceada e atividades físicas regulares podem contribuir para prevenir a doença, dizem especialistas

Lucas RochaPriscila Mannida CNN

em São Paulo

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O diabetes foi responsável por 6,7 milhões de mortes em 2021, uma a cada cinco segundos, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês). De acordo com dados da instituição, mais de quatro em cinco (cerca de 81%) dos adultos com diabetes vivem em países de baixa e de média renda.

As informações fazem parte dos resultados do Atlas do Diabetes de 2021, levantamento realizado periodicamente pela federação.

Nesta semana, o CNN Sinais Vitais reapresenta o episódio que mostra como é a vida e a rotina dos pacientes diagnosticados com a doença. A reprise do programa, apresentado pelo cardiologista Roberto Kalil, vai ao ar neste domingo (20), às 19h45, reforçando o conteúdo diversificado com a marca CNN Soft.

“Antes de 1921, quem tinha diabetes tipo 1 tinha por volta de oito meses de sobrevida”, afirmou a endocrinologista Denise Franco, diretora da Associação Diabetes Brasil. No último século, os avanços alcançados pela medicina no tratamento e controle do diabetes são motivos para celebração.

Dona Carmen Wills, aposentada de 90 anos e uma das pessoas com o diagnóstico mais antigo de diabetes no Brasil, mostra como é possível viver bem com a doença desde que haja o controle adequado.

Ela descobriu o diabetes tipo 1 em 1950, quando percebeu sintomas de apetite descontrolado, muita sede e desidratação. Na época, só havia um tipo de insulina, a insulina rápida, aplicada antes de cada refeição. Depois, veio a básica, chamada de NPH, feita do pâncreas de porco.

“A seringa era de vidro, eu tinha que ferver cada vez que usava e a agulha era grande, então as injeções não eram assim tão suaves. A gente também não tinha como controlar a doença, tinha que recolher a urina em um tubo de ensaio, jogar um reagente, ferver, para ver a cor que ficava”, contou.

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Domingos Malerbi, a evolução no tratamento da doença permitiu o desenvolvimento de medicamentos que não só reduzem a glicose, mas protegem o rim e o coração dos efeitos da hiperglicemia.

As insulinas hoje são muito melhores do que as que havia há 50 anos. A forma de administrar a insulina também mudou, antigamente eram seringas de vidro, com agulha de metal, hoje você tem canetas muito modernas, muito fáceis de manipular

Domingos Malerbi, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes

Tratamentos

Desde 2019, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza as canetas de insulina, que têm aplicação fácil e que quase não causam dor.

A terapia com células-tronco é outro tratamento que tem mostrado resultados promissores. O médico Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, integra um grupo de pesquisa pioneiro na área.

“Eu me lembro quando a gente começou com os resultados, se falava em cura. Não é cura, eu adoraria falar que é cura, mas sem dúvida é uma maneira mais fácil de cuidar do diabetes”, afirma.

O episódio mostra o caso clínico do médico Renato Silveira, que foi o quinto paciente a fazer a terapia experimental de transplante de medula para tratamento de diabetes tipo 1. Com o procedimento, ele passou 11 anos e meio sem realizar o uso de insulina.

Incidência e prevenção do diabetes

O Brasil é o quinto país com maior incidência de diabetes, atrás da China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. São 16 milhões de diabéticos e a estimativa é de que, em 2030, a doença acometa mais de 20 milhões de brasileiros, segundo a Federação Internacional de Diabetes.

Segundo o endocrinologista Antônio Roberto Chacra, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, a identificação do diabetes é simples e pode ser realizada a partir de exames de sangue e perguntas de rotina.

O diabetes pode ser prevenido e controlado a partir da adoção de uma alimentação saudável e balanceada e da prática regular e moderada de atividades físicas.

“Além da predisposição genética, tem dois fatores que são fundamentais no aparecimento do diabetes: a obesidade, com alimentação inadequada, e o sedentarismo”, afirma a médica Maria Elizabeth Rossi, chefe da Unidade de Diabetes da Faculdade de Medicina da USP (veja a entrevista no vídeo acima).

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