Consumo de álcool não possui efeito de proteção para o corpo humano

Entidade de cardiologia divulgou nota rechaçando estudos que defendem ingestão de bebidas alcoólicas como prevenção para a saúde

Fabrizio Neitzkeda CNN

Em São Paulo

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Na edição desta quarta-feira (26) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes debateu os efeitos do consumo de bebidas alcoólicas para o coração, após um posicionamento da Federação Mundial do Coração (WHF) levantar o debate sobre a questão.

De acordo com comunicado divulgado pela instituição, estudos que afirmam que o álcool pode fazer bem ao coração possuem alguns erros. Segundo a WHF, não há nível de consumo que possa ser considerado seguro – e possíveis benefícios são menores do que os riscos trazidos pela ingestão.

Fernando Gomes explicou que há uma correlação entre o consumo de álcool, independentemente do nível, e o desenvolvimento da doença arterial coronariana, além de casos de insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, acidente vascular cerebral (AVC) e o aneurisma. Para o médico, o movimento da Federação coloca “pingos nos is”.

“O que está sendo dito é que o álcool não pode ser prescrito como um remédio para evitar ou promover a saúde do coração. É lógico que existe o conceito de tomar uma taça de vinho ou um ‘choppinho’ uma vez por semana para proteger a saúde. O que o estudo traz, olhando a substância química, é que não existem níveis seguros que se possa fazer essa afirmação.”

O neurocirurgião ressaltou, porém, que a complexidade da vida pode, por vezes, sobrepor dados e números. Segundo Gomes, um momento de celebração com amigos, que diminui a tristeza e raiva – duas sensações que costumam anteceder um AVC, de acordo com um estudo –, pode “proteger” a pessoa de um acidente vascular. “Por isso que é tão difícil passar dados tão contundentes dessa maneira.”

“A grande informação que fica quando trazemos um dado como esse é que, para quem tem o hábito de ingerir bebida alcoólica, que o faça com moderação. Se você nunca experimentou ou não tem vontade, continue nesse caminho, porque os trabalhos não mostram que existe um efeito de fato protetor”, concluiu.

Embasando as diferenças entre os conceitos de “excesso” e “degustação” de álcool, Fernando Gomes defendeu que a longevidade da vida pode ser protegida com uma dieta balanceada que inclua, por exemplo, uma taça de vinho, como no caso da chamada dieta mediterrânea. “É uma proteção para a saúde do corpo físico, do coração e impactando em mais anos de vida.”

“O que sempre impera, quando estamos falando de saúde, é o bom senso. É o caminho do meio. Degustar um vinho, desfrutar esse momento com a família e amigos com moderação, vai trazer benefícios de ordem emocional. Cruzando com o estudo anterior [sobre AVC], você percebe o quão importante é ter saúde emocional”, finalizou.

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