Correspondente: Perda de filho provoca cicatrizes que nem terapia pode apagar

Neurocirurgião Fernando Gomes analisa as marcas deixadas nos seres humanos que enfrentam o luto após a morte de um filho

Raphael Florêncio, da CNN, em São Paulo

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Na edição desta terça-feira (1º) do quadro Correspondente Médico, do Novo Dia, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou o que representa o luto para um pai e uma mãe ao perder um filho. Gomes analisou o caso do comediante Whindersson Nunes e de sua companheira Maria Lina Deggan.

O primeiro filho do casal, João Miguel, nasceu no último sábado (29), mas por complicações ocasionadas pelo nascimento prematuro, após dois dias, a morte do bebê foi informada pela assessoria do artista. João Miguel nasceu com 22 semanas, no início do sexto mês de gestação. 

O neurocirurgião avalia que este tipo de perda afeta o comportamento humano profundamente e pode deixar marcas difíceis de serem tratadas.

“Muitas vezes, a vida provoca cicatrizes tão profundas que nem mesmo a terapia consegue apagar”, diz em relação ao afeto de um pai e uma mãe por um filho.

No entanto, ele avalia que nestes momentos de rupturas extremas, o que mais contribui para uma retomada da vida e um equilíbrio psíquico, é o bom relacionamento e a partilha entre o casal.

“O que a gente sabe que acontece — e aí vem o lado bonito de tudo–, é que o casal acaba se unindo muito porque, na verdade, é na dor que se reconhece muitas vezes o amor.”

O médico ressaltou que, embora casos como este ainda ocorram, a obstetrícia teve uma grande evolução nas últimas décadas, o que acaba resultando em uma melhora na taxa da mortalidade perinatal.

“No decorrer dos anos, a própria obstetrícia e a ginecologia se desenvolveram muito. A gente tinha muito mais situações como esta antigamente. Quando a gente observa os nossos antepassados, era comum uma mulher sofrer um aborto espontâneo e uma criança prematura, na verdade, não seria viável.”

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