Covax tem enfrentado dificuldades para entrega de vacinas, diz diretor da OPAS

Em entrevista à CNN, Jarbas Barbosa afirmou que a organização tenta liberar a exportação de doses com o governo da Índia

Profissional da saúde com doses da vacina Pfizer; imunizante começou a ser distribuído no Brasil no início de maio
Profissional da saúde com doses da vacina Pfizer; imunizante começou a ser distribuído no Brasil no início de maio Foto: Divulgação/Ministério da Saúde

Amanda Garcia, da CNN, em São Paulo

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O médico sanitarista e diretor-assistente da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, disse que o consórcio da Covax Facility tem tido problemas para a entrega das doses programadas para os países, como o Brasil, que aderiram ao programa.

“O mecanismo Covax tem enfrentado dificuldades, como muita gente no mundo, em relação à entrega de vacinas. Um dos grandes produtores de vacinas do mundo, o Serum Institute, da Índia, não está tendo as exportações autorizadas pelo governo”, afirmou Jarbas em entrevista à CNN, nesta sexta-feira (7).

A Índia enfrenta o pior momento da pandemia, batendo mais de 400 mil casos diários de Covid-19, com recorde de mortes e sistemas de saúde colapsados.

Jarbas contou que a Opas procura negociar com o governo indiano para que sejam liberadas ao menos partes das doses. “Enquanto isso, a Opas segue fazendo acordos com outros produtores, a Moderna anunciou esta semana um acordo de 500 milhões de doses, infelizmente a entrega será no segundo semestre”, destacou.

Ele lamentou o acesso limitado a doses: “Sem um mecanismo de acesso equitativo [a vacinas], deixando só pelas leis de mercado, os países ricos têm uma vantagem tremenda, cerca de 10 países detêm 70% das vacinas aplicadas no mundo.”

O Covax Facility prevê a entrega de 800 mil doses da Pfizer em junho para o Brasil, e trabalha com a AstraZeneca para os últimos 4 milhões de doses chegarem ao país até o final de maio.

Preocupação com o Brasil

Segundo Jarbas Barbosa, a Opas está preocupada com a situação do Brasil. Ele reforçou que as políticas sanitárias de distanciamento social, uso de máscaras e evitar aglomerações são ainda mais necessárias.

“O principal é não baixar a guarda, não considerar que tendo baixado de quase 4 mil mortes diárias para esse número de 3.500 vítimas significa que o perigo passou. Não passou”, alertou.

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