Covid-19: estudo mostra duas infecções ‘invasivas’ entre centenas de vacinados

Segundo os pesquisadores, mutações do coronavírus muito diferentes do vírus original causaram as infecções que “quebraram a barreira” das vacinas

Seringas e agulhas para vacinação
Seringas e agulhas para vacinação Foto: HVesna/Pixabay

Jacqueline Howard, da CNN

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Um novo estudo feito em Nova York sugere que pessoas totalmente vacinadas têm um risco extremamente baixo de ainda contrair a Covid-19 – descrita como infecções breakthrough ( infecções invasivas, em tradução livre).

Entre 417 funcionários da Universidade Rockefeller que foram totalmente imunizados com as vacinas da Pfizer ou da Moderna, dois deles, ou cerca de 0,5%, tiveram infecções invasivas depois, de acordo com o estudo publicado nesta quarta-feira no periódico médico New England Journal of Medicine.

“Caracterizamos exemplos genuínos de invasões do vírus após as vacinas que se manifestam como sintomas clínicos”, escreveram os pesquisadores no estudo. “Essas observações de forma alguma prejudicam a importância dos esforços urgentes que estão sendo feitos nos níveis federal e estadual para vacinar a população dos EUA. Elas também dão apoio aos esforços para avançar com um novo reforço à vacina para fornecer maior proteção contra variantes”.

Os pesquisadores, da Universidade Rockefeller, descobriram que variantes do coronavírus com muitas mutações do vírus original causaram as infecções invasivas.

Uma variante que infectou um dos pacientes tinha a mutação E484K, que foi encontrada pela primeira vez na variante B.1.351 originalmente identificada na África do Sul. A E484K foi chamada de “mutante de escape”, porque mostrou que pode escapar de alguns dos anticorpos produzidos pelas vacinas contra o coronavírus. Uma das mutações encontradas nas infecções de ambos os participantes do estudo incluiu a D614G, que surgiu no início da pandemia.

Uma das infecções invasivas foi em uma mulher saudável, de 51 anos, que recebeu a segunda dose de vacina da Moderna em 19 de fevereiro. Dezenove dias depois, ela testou positivo para o coronavírus, em 10 de março, após desenvolver sintomas.

A outra infecção invasiva também foi em uma mulher saudável, de 65 anos, que recebeu a segunda dose da vacina da Pfizer em 9 de fevereiro. Mais tarde, ela soube que seu parceiro, que não foi vacinado, testou positivo para Covid-19, em 3 de março. Nos dias seguintes, a mulher desenvolveu os sintomas da doença. Ela testou positivo em 17 de março.

Mais pesquisas são necessárias para determinar se descobertas semelhantes relacionadas a infecções invasivas ou variantes surgirão entre um grupo maior de participantes de várias partes dos Estados Unidos.

Os especialistas dizem que alguns casos invasivos de Covid-19 em pessoas que foram totalmente vacinadas são esperados, uma vez que nenhuma vacina é 100% eficaz.

Na semana passada, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos EUA disse à CNN que a agência recebeu até agora menos de 6 mil relatos de infecções invasivas por coronavírus entre mais de 84 milhões de pessoas totalmente vacinadas em todo o país.

O CDC disse que os casos invasivos ocorreram em pessoas de todas as idades que foram vacinadas, mas um pouco mais de 40% ocorreram em pessoas com 60 anos ou mais. Eles também foram mais prevalentes no sexo feminino e 29% eram assintomáticos.

A agência disse que desenvolveu um banco de dados nacional dos casos invasivos de Covid-19 para que os departamentos estaduais de saúde possam relatá-los.

“As infecções invasivas após a vacina constituem uma pequena porcentagem das pessoas que estão totalmente vacinadas. O CDC recomenda que todas as pessoas elegíveis se vacinem contra a Covid-19 assim que as doses estiverem disponíveis para eles”, disse o CDC em nota à CNN.

(Texto traduzido. Leia o original, em inglês)

Ben Tinker e Maggie Fox contribuíram para esta reportagem

 

 

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