Dormir em ambiente com luz pode prejudicar a saúde, diz estudo

Experimento com 20 pessoas jovens e saudáveis em laboratório do sono e mostrou que iluminação mesmo fraca pode elevar açúcar no sangue e frequência cardíaca

Especialistas recomendam fechar persianas e cortinas e apague todas as luzes para dormir
Especialistas recomendam fechar persianas e cortinas e apague todas as luzes para dormir Foto: Luis Alvarez/Getty Images

Sandee LaMotteda CNN

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Dormir por apenas uma noite com uma luz fraca, como um aparelho de TV com o som desligado, elevou o açúcar no sangue e a frequência cardíaca de jovens saudáveis que participaram de um experimento de laboratório do sono, segundo um novo estudo.

A luz fraca penetrou pelas pálpebras e atrapalhou o sono, apesar do fato de os participantes dormirem com os olhos fechados, disse a autora do estudo, Phyllis Zee, diretora do Centro de Medicina Circadiana e do Sono da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern.

A frequência cardíaca geralmente cai à noite, diminuindo à medida que o cérebro está ocupado reparando e rejuvenescendo o corpo. Uma frequência cardíaca elevada à noite já foi mostrada em vários estudos como um fator de risco para doenças cardíacas futuras e a morte precoce.

Níveis elevados de açúcar no sangue são um sinal de resistência à insulina, onde o corpo para de usar a glicose corretamente e o pâncreas entra em esgotamento, inundando o corpo com insulina extra para compensar até que eventualmente perca sua capacidade de fazê-lo. Com o tempo, a resistência à insulina pode levar ao diabetes tipo 2.

Dormir de olhos fechados

Pesquisas anteriores mostraram uma associação entre luz artificial à noite e ganho de peso e obesidade, interrupções na função metabólica, secreção de insulina e desenvolvimento de diabetes e fatores de risco cardiovascular.

“Por que dormir com as luzes acesas afetaria seu metabolismo? Isso poderia explicar por que há uma maior prevalência de diabetes ou obesidade (na sociedade)?”, perguntou Zee.

Zee e sua equipe selecionaram 20 pessoas saudáveis, na faixa dos 20 anos e as fizeram passar duas noites em um laboratório do sono. A primeira noite foi passada em um quarto totalmente escuro onde “você não seria capaz de ver muito, ou nada, quando seus olhos estivessem abertos”, disse Zee.

Todos os participantes do estudo foram conectados a dispositivos que monitoram uma série de medidas objetivas da qualidade do sono. Para que os dados pudessem ser coletados com o mínimo de interferência, eles dormiram com uma agulha intravenosa conectada a longos tubos que serpenteiam pela sala e passam por um buraco que chega ao laboratório da pesquisadora. O sangue foi coletado sem nunca tocar os participantes adormecidos.

“Nós gravamos as ondas cerebrais e pudemos dizer em que estágio do sono a pessoa estava”, disse Zee. “Gravamos a respiração, a frequência cardíaca, o eletrocardiograma e também extraímos sangue deles para medir os níveis de melatonina enquanto dormiam”. A melatonina é um hormônio que regula o ritmo circadiano do corpo, ou o relógio biológico do sono e da vigília.

Uma parte aleatória do grupo repetiu o mesmo nível de luz por uma segunda noite no laboratório, enquanto a outra parte do grupo dormia com uma luz fraca no teto, com um brilho equivalente a “um dia muito, muito escuro, nublado ou luzes da rua entrando por um janela”, disse Zee.

“Agora essas pessoas estavam dormindo com as pálpebras fechadas”, explicou ela. “Na literatura, a estimativa é que cerca de 5% a 10% da luz no ambiente realmente passaria pela pálpebra fechada até o olho, então isso não é muita luz”.

No entanto, mesmo essa pequena quantidade de luz criou um déficit de ondas lentas e movimento rápido dos olhos enquanto dormiam, os estágios do sono em que ocorre a maior parte da renovação celular, disse Zee.

Além disso, a frequência cardíaca foi mais alta, a resistência à insulina aumentou e os sistemas nervosos simpático (luta ou fuga) e parassimpático (descanso e relaxamento) ficaram desequilibrados, o que tem sido associado a uma pressão arterial mais alta em pessoas saudáveis.

A luz não era forte o suficiente, no entanto, para diminuir os níveis de melatonina no corpo, acrescentou Zee. O estudo foi publicado segunda-feira (14) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O que fazer?

Que conselho Zee daria às pessoas com base em seu estudo e pesquisas existentes no campo? Feche as persianas e cortinas, apague todas as luzes e considere usar uma máscara de dormir.

“Acho que a força da evidência é que você claramente deve prestar atenção à luz do seu quarto”, disse ela. “Certifique-se de começar a diminuir as luzes pelo menos uma ou duas horas antes de ir para a cama para preparar seu ambiente para dormir”.

Verifique se há fontes de luz desnecessárias no seu quarto, acrescentou. Se uma luz noturna for necessária, mantenha-a fraca e no nível do chão, “para que seja mais refletida do que próxima ao nível dos olhos ou da cama”, sugeriu ela.

Fique atento também ao tipo de luz que você tem em seu quarto, ela acrescentou, e retire qualquer luz no espectro azul, como as emitidas por dispositivos eletrônicos como televisores, celulares, tablets e computadores ou notebooks.

“A luz azul é o tipo de luz mais estimulante”, disse Zee. “Se você tem que ter uma luz acesa por questões de segurança, mude a cor dela. Você quer escolher luzes que tenham tons mais avermelhados ou acastanhados”.

Luzes de LED podem ser adquiridas em qualquer cor, incluindo em tons de vermelho e castanho.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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