Especialista explica como se recuperar após desnutrição do corpo
Refém israelense libertado, Evyatar David, por exemplo, surpreendeu ao aparecer em agosto com as costelas aparecendo através da pele

Agora libertado pelo Hamas, o israelense Evyatar David, de 24 anos, foi feito refém pelo Hamas por dois anos. Imagens de seu tempo em cativeiro, reveladas em agosto, o mostraram com aparência esquelética e muito magro, enquanto ele "cavava a própria cova". Veja a explicação de uma nutróloga sobre como o jovem deve se recuperar.
Ao reencontrar a família e os amigos, na segunda (14), David parecia mais saudável do que aparentava no vídeo divulgado pelo grupo armado. Ele foi levado ao Centro Médico Rabin-Hospital Beilinson, na cidade de Petah Tikvah, após ser solto.
Milena Bonatti, supervisora de Nutrição Clínica da Beneficência Portuguesa, explica que recuperação de um paciente desnutrido exige uma abordagem individualizada e multidisciplinar, pois cada caso apresenta características próprias e diferentes graus de comprometimento nutricional.
Segundo ela, “o primeiro passo é realizar uma avaliação nutricional completa, identificando o grau de desnutrição e as possíveis causas que levaram a esse quadro”.
Com base nessa avaliação, a nutricionista elabora um plano alimentar específico, que envolve a reintrodução gradual de nutrientes essenciais, o uso de suplementos nutricionais e, quando necessário, o suporte alimentar por via oral, enteral ou parenteral, de acordo com o estado clínico do paciente. Bonatti ressalta que “o plano deve ser individualizado, respeitando os limites e a capacidade de recuperação de cada pessoa”.
Mas tratar a desnutrição vai muito além de apenas oferecer alimentos. O processo de recuperação envolve a correção dos déficits nutricionais, a reeducação alimentar e o monitoramento constante do estado nutricional.
Além disso, requer o trabalho conjunto de uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas e psicólogos. “Cada profissional contribui para a melhora global do paciente. A nutrição sozinha não resolve se as demais causas não forem tratadas”, acrescenta Bonatti.
O tempo de recuperação varia bastante, dependendo da gravidade do quadro, da idade e da resposta ao tratamento. Casos leves podem apresentar melhora em algumas semanas, enquanto situações mais graves podem levar meses até que o paciente recupere totalmente o estado nutricional.
“É importante entender que a recuperação é gradual e deve ser acompanhada de perto, para garantir que o paciente mantenha o ganho nutricional ao longo do tempo”, afirma Bonatti.
Quando uma pessoa fica desnutrida, o corpo começa a sofrer uma série de consequências sistêmicas. Ocorre perda de peso e de massa muscular, enfraquecimento do sistema imunológico, redução da capacidade de cicatrização e maior vulnerabilidade a infecções. Nos casos mais graves, há até risco de falência de órgãos.
Além dos impactos físicos, a desnutrição também compromete o desempenho cognitivo e emocional, especialmente em crianças e idosos, que são os grupos mais vulneráveis. Por isso, como destaca Bonatti, “o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar complicações e garantir uma recuperação completa e duradoura”.
O vídeo divulgado pelo Hamas do refém Evyatar David em um túnel na Faixa de Gaza repercutiu em agosto, gerando críticas de potências do Ocidente e pedidos por um acordo da família do israelense.
Nas imagens, David está muito magro e com cabelo e barba compridos. Ele fala sobre a falta de comida e cava um buraco, que diz ser sua própria cova. O jovem de 24 anos foi um dos reféns libertados pelo Hamas na segunda (13).



