Especialistas dos EUA dizem que quarta dose de vacina ainda não é necessária

Dose adicional de reforço já tem sido adotada em países como Israel

Breno Esaki/Agência Saúde DF

Jacqueline Howardda CNN

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Ao passo em que casos de Covid-19 continuam a crescer e a variante Ômicron varre o mundo, alguns países estão oferecendo quarta dose de vacinas para os mais vulneráveis.

O gabinete do premiê israelense Naftali Bennett anunciou esta semana que adultos com 60 anos ou mais, trabalhadores da saúde e pessoas imunossuprimidas poderão receber uma quarta dose, desde que já tenham se passado quatro meses desde a terceira dose.

Na quinta-feira (23), o ministro da saúde alemão, Karl Lauterbach, disse que uma quarta dose será necessária para manter a proteção contra a variante Ômicron, embora o país ainda não tenha iniciado a aplicação destas doses.

Enquanto isso, nos EUA, é muito cedo para discutir uma potencial quarta dose da vacina do coronavírus para a maioria das pessoas, disse o Dr. Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas e Alérgicas, na última quarta-feira (22).

“Acho que é muito prematuro falar em uma quarta dose”, disse Fauci ao programa de rádio WCBS Newsradio 880, apresentado por Michael Wallace e Steve Scott.

“Uma das coisas que vamos acompanhar bem cuidadosamente é a durabilidade da terceira dose de uma vacina de mRNA”, disse Fauci. As vacinas da Moderna e da Pfizer/BioNTech são de mRNA.

“Se a proteção for muito mais durável do que duas doses (sem reforço), então podemos passar um bom tempo sem exigir uma quarta dose”, disse Fauci. “Então, eu acho que é prematuro – pelo menos nos EUA – falar sobre uma quarta dose”.

Uma vez que os dados sobre quarta dose estiverem disponíveis, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) irá examinar e considerar se será necessário – mas, para agora, as terceiras doses parecem estar oferecendo “proteção durável”, disse a Dra. Rochelle Walensky a John Berman, da CNN, na última terça-feira (21).

“Exatamente agora estamos trabalhando para garantir que nossos vacinados recebam um reforço”, disse. “Nós temos muitas vacinas nas quais duas doses e um reforço dão proteção durável. Então, embora eu acredite que seja uma questão importante de se avaliar, provavelmente já temos uma proteção adicional pela dose de reforço agora”.

Mesmo alguns fabricantes de vacina afirmaram que é necessário mais tempo para determinar quando uma quarta dose será necessária nos EUA e quanto tempo após a terceira dose a imunidade começa a diminuir.

“Nós teremos que esperar alguns meses até podermos ver como esses dados se desenvolvem e amadurecem para saber quando será necessária uma dose adicional – se for necessária”, disse Paul Burton, chefe médico da Moderna, à Wolf Blitzer, da CNN, na quinta-feira (23).

No entanto, Burton disse que não pretende subestimar a importância de doses de reforço agora e que as pessoas podem confiar que “receber uma dose de reforço irá oferecer proteção para a temporada de fim de ano e os meses de inverno [nos EUA]”.

A Moderna anunciou na segunda-feira (20) dados preliminares que sugerem que meia dose de reforço aumentou os níveis de anticorpos contra a variante Ômicron, em comparação aos níveis de quem teve o ciclo vacinal completo, mas não recebeu reforço.

Imunocomprometidos podem precisar de uma quarta dose, diz o CDC

Embora o CDC não tenha recomendado quartas doses da vacina de coronavírus para o público geral, a agência atualizou suas diretrizes em outubro para observar que algumas pessoas moderadamente ou gravemente imunocomprometidas podem receber uma quarta dose das vacinas Moderna ou Pfizer/BioNTech.

Para pessoas moderadamente ou severamente imunocomprometidas que receberam duas doses da vacina da Moderna ou Pfizer/BioNTech, a CDC recomenda uma terceira dose para aumentar a proteção contra Covid-19, mas nota que uma outra dose subsequente pode ser administrada.

No futuro, alguns médicos antecipam que os EUA  poderão distribuir quartas doses para mais pessoas, similar à forma que Israel está fazendo.

“O que os israelenses entendem – e acredito que várias pessoas também – é que a longevidade das doses de reforço é provavelmente limitada e que depois de três ou quatro meses poderemos começar a ver a ausência de durabilidade da dose de reforço”, disse Dr. Jonathan Reiner, analista médico da CNN e professor de medicina e cirurgia na Universidade George Washington, na última quarta-feira (22).

Reiner acrescentou que Israel adotou a abordagem de “vacinar mais as pessoas que estão em maior risco agora”, como profissionais de saúde, idosos e pessoas com doenças preexistentes ou imunocomprometidas de tratamentos médicos.

“Mas com mais casos surgindo ao redor do mundo, faz sentido cuidar do sistema de saúde”, disse Reiner.

“É isso o que os israelenses farão. E para mim está claro que faremos também. Só que levaremos um tempo desnecessário e inaceitavelmente longo para chegar ao ponto em que obteremos uma quarta dose. Eu quero ver uma sensação de urgência. Mais do que urgência, quero um senso de agilidade”, disse Reiner. “Está claro que precisaremos de reforço. Nós vamos precisar de uma quarta dose ao menos para uma boa parte da população”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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