Governo basear decisão técnica em consulta pública seria lamentável, diz especialista

Ministério da Saúde realiza, nesta terça-feira (04), uma audiência pública para discutir a vacinação contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos; imunização já tem o aval da Anvisa desde dezembro

Léo LopesJuliana Alvesda CNN

em São Paulo

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Nesta terça-feira (04), o Ministério da Saúde realiza uma audiência pública para discutir a vacinação contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

A reunião, com presença do ministro Marcelo Queiroga e outros órgãos da área, acontece após uma consulta à população que durou 10 dias.

A imunização na faixa etária em questão já teve o aval da Anvisa no dia 16 de dezembro, recebeu parecer favorável da Câmara Técnica que assessora o governo federal em relação à vacinação contra o coronavírus e foi endossada por especialistas da comunidade médica.

Em entrevista à CNN, o pediatra e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, disse que a audiência pública não deve trazer nada de novo à discussão sobre vacinação infantil.

Ele destacou o ineditismo da posição adotada pelo Ministério da Saúde no sentido de buscar a opinião da população em relação a um assunto técnico.

“Ouvir pais e famílias é sempre interessante para saber o que a população pensa. Mas para isso você precisa encomendar uma pesquisa para garantir representatividade de estados, classes econômicas, faixas etárias”, pontuou.

“Eventualmente até poderia orientar uma campanha de conscientização para informar, mas não a tomada de decisão. Seria muito lamentável o Ministério da Saúde se basear na opinião de leigos para a tomada de uma decisão técnica de vacinação”, complementou.

Renato Kfouri, em entrevista ao CNN Novo Dia. / CNN / Reprodução

Renato Kfouri considera “incompreensível” a decisão do Ministério em abrir a discussão da vacinação infantil para consulta pública. Ele destaca que estará presente na audiência pública prevista para começar às 10h desta terça (04).

“Mas estaremos lá, cumpriremos o rito e espero que logo a gente rompa essa barreira protelatória e comece a vacinação das crianças o quanto antes”, concluiu.

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