Médicos da Câmara Técnica pedem que MS mude decisão sobre vacina em adolescentes 

Membros da comissão avaliam deixar o grupo caso a pasta não emita nova nota técnica essa semana

Maria MazzeiStéfano Sallesda CNN

Rio de Janeiro

Ouvir notícia

Médicos que compõem a Câmara Técnica Assessora de Imunização Covid-19 (CTAI), instância de aconselhamento do Ministério da Saúde, disseram à CNN estarem confiantes de que a Pasta reveja até o final da semana o posicionamento de suspender a vacinação para adolescentes de 12 a 17 anos que não possuam comorbidades, deficiência permanente ou estejam privados de liberdade.

Integrantes do grupo – que não foi consultado e não concorda com a nota técnica divulgada pelo MS semana passada – cogitam deixar a comissão caso o Ministério da Saúde não volte atrás na decisão.

Em reunião na sexta-feira (17), que contou com quórum muito maior do que o de costume e pesquisadores convidados de várias instituições médicas, o grupo exigiu que o MS redija uma nova nota técnica, na qual evidencie a importância da vacinação para a proteção dos adolescentes e para o controle da pandemia.

A CNN conversou com alguns médicos e a posição da comissão até o momento é aguardar nova decisão do MS. Caso isso não ocorra, eles disseram que avaliam emitirem posicionamentos públicos contra o MS e deixarem a CTAI.

“Tenho confiança de que os pontos levantados na reunião de sexta por parte dos membros, todos voluntários da CTAI, serão bem recebidos, pois estamos todos em busca do mesmo objetivo no final das contas. Além disso, as novas informações da investigação do caso em particular (refere-se ao adolescente que morreu) também ajudarão nesse processo”, disse um médico, que integra o grupo.

Apesar de o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ter embarcado este domingo (19) para Nova York, nos EUA, integrando uma comitiva presidencial para a Assembleia Geral das Organizações das Nações Unidas (ONU), os membros CTAI acreditam que a ausência do ministro não deve afetar o cenário, porque, segundo os médicos, ele não precisa estar no país para a decisão ser revista e para que nova técnica seja emitida aos estados e Distrito Federal.

“Prefiro aguardar o posicionamento do ministério a respeito dos pontos levantados pela CTAI. A partir disso, se avalia os próximos passos. Mas acredito que tudo se resolverá da melhor maneira possível. O fundamental é que a população tenha a clareza de que a vacina autorizada para uso em adolescentes é segura e importante. Tanto para os que possuem comorbidades, como para os demais. Por isso que ela foi aprovada, está em uso em diversos países, e a própria OMS recomenda seu uso, com a única ressalva quanto a ordem de priorização por conta da oferta mundial de vacinas”, avaliou um outro médico, também integrante do CTAI.

Na próxima sexta-feira (27), haverá nova reunião do grupo com técnicos e representantes do MS. Na ocasião, eles também pretendem sair com uma definição sobre as doses de reforço para os trabalhadores de saúde.

Adolescente é vacinado contra a Covid-19 em posto montado na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro / Estadão Conteúdo

A CTAI é composta por representantes da Sociedade Brasileira de Imunologia, Sociedade Brasileira de Infectologia, Sociedade Brasileira de Imunizações, Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Fiocruz, Instituto Butantan, Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), UNIFESP, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS) e outros especialistas e pesquisadores convidados.

Apesar da decisão do Ministério da Saúde, 20 estados da federação e o Distrito Federal informaram que não suspenderão a vacinação dos adolescentes. São eles: SP, SC, MS, PI, AP, ES, GO, MA, RR, DF, SE, PE, RS, CE, PA, RN, BA, RO, AC, MG, AM. Alagoas e Tocantis decidiram interromper a vacinação, conforme recomendado pelo MS.

Paraíba, Paraná e Mato Grosso informaram que ainda não iniciaram a vacinação desse grupo. Já  o Rio de Janeiro não deixou sua decisão clara, mas, em nota à CNN, afirmou que “defende a vacinação dos adolescentes” e que faz “gestão junto ao Ministério da Saúde para que a decisão de suspender a vacinação em adolescentes seja revista”.

A Pfizer é o único imunizante, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que pode ser aplicado em adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil.

A  Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que a morte de uma adolescente de 16 anos, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, em 2 de setembro, como possível reação à vacina da Pfizer, não teve relação com o imunizante, mas em decorrência da doença autoimune Púrpura Trombótica Trombocitopênica (PPT).

A jovem morreu oito dias após tomar uma dose da vacina da Pfizer contra a Covid, e o caso foi investigado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.

Em nota, a Anvisa informou que também apurava o caso, que até o momento não há “uma relação causal definida entre esse caso e a administração da vacina” e que “os dados recebidos ainda são preliminares e necessitam de aprofundamento para confirmar ou descartar a relação”.

Mais Recentes da CNN