Nova variante exige controle em aeroportos com rigor, diz pesquisadora da Fiocruz

À CNN, pneumologista Margareth Dalcolmo defende que Brasil realize testagem e exija passaporte de vacinação a quem chega de fora no país

Produzido por Layane Serranoda CNN

em São Paulo

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Ministério da Saúde emitiu nesta sexta-feira (26) um alerta para secretarias estaduais e municipais sobre o risco da nova variante do coronavírus identificada pela primeira vez na África do Sul. Consta no documento que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já a define como variante de preocupação. Veja o que se sabe sobre a mutação.

Em entrevista à CNN, a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo disse que uma vez categorizada desta maneira, medidas mais rigorosas, sobretudo no controle de entrada de pessoas vindo do exterior, devem ser implementadas.

“Esta variante, denominada Nu, como ela é chamada até este momento, já definida como Variant of Concern — que quer dizer variante de preocupação–, sem dúvida nenhuma exige medidas sanitárias de muito rigor. E, entre estas, seguramente, é o controle de viagens e de transportes aéreos, que é o mecanismo de transmissão mais eficaz e rápido no mundo todo. Sempre foi assim desde que existe transporte aéreo.”

A pesquisadora diz que a exigência do passaporte de vacinação é um “mecanismo civilizatório” aplicado no mundo todo e que o Brasil não deve se “furtar” deste controle.

“Para nós viajarmos para o exterior, hoje, nós precisamos ter um RT-PCR negativo, um passaporte de vacinação e, para voltarmos, no país onde estamos somos obrigados a pagar por um teste de PCR sem o qual a companhia aérea não nos deixa embarcar. Obviamente que todos os países têm que, minimamente, exigir um passaporte de vacinação de quem desembarca aqui, e qualquer caso suspeito tem que ser testado.”

Dalcolmo explica que variantes de preocupação são as que têm um potencial de transmissão de uma pessoa para várias outras. “Como foi com a variante Delta, ela não foi mais letal do que as que a antecederam — como a Gamma, por exemplo –, mas ela foi muito mais transmissível e hoje já é a dominante no mundo todo.”

Eficácia das vacinas

A nova variante em questão tem cerca de trinta mutações em sítios diferentes da proteína “S” do SarsCov2. “A nós ela nos preocupa porque guarda mutações na própria proteína S, aquela que é a mais influenciada pela ação e eficácia das vacinas”, diz Margareth.

Esta preocupação é apenas uma hipótese que deve ser respondida a fim de assegurar que as vacinas aplicadas na população do mundo até o momento não tenham suas respostas imunológicas prejudicadas.

“A nossa preocupação é a de que, eventualmente — não estou dizendo que isso possa acontecer–, uma cepa desta magnitude possa escapar da proteção vacinal. E as autoridades sanitárias da África do Sul, seguramente, terão que fazer barreiras sanitárias muito importantes e rígidas e os órgãos todos de investigação epidemiológica e virológica vão determinar a não só a sua capacidade de transmissão e onde estão estas mutações, mas se elas são ou não sensíveis à proteção das vacinas.”

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