O que é Transtorno do Espectro Autista? Kalil e especialistas explicam

Psiquiatra e psicóloga detalham ao CNN Sinais Vitais dessa semana as características do TEA, seus primeiros sinais e por que é chamado de "espectro"

Da CNN Brasil
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um quadro do neurodesenvolvimento com base biológica documentada, influenciado por fatores genéticos que afetam o desenvolvimento de circuitos cerebrais. Ele se manifesta desde os primeiros anos de vida e acompanha o indivíduo ao longo de toda a sua trajetória, impactando diferentes áreas e causando prejuízos e sofrimento.

A psiquiatra Daniela Bordini, coordenadora do Ambulatório de Cognição Social da Unifesp, explicou, em conversa com o Dr. Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais deste sábado (20), que as principais áreas afetadas pelo transtorno têm relação com a sociabilidade, a comunicação, o padrão de interesses e o padrão de comportamento do indivíduo.

"É um transtorno muito precoce que acompanha o indivíduo ao longo de toda trajetória e impacta em diferentes áreas", afirmou Bordini.

O termo "espectro" é utilizado porque o TEA é uma categoria diagnóstica que abarca pessoas muito diferentes entre si, em suas características, dificuldades e necessidades.

"A gente brinca que quem conheceu um autista, conheceu um autismo. Essa heterogeneidade clínica que traz uma dificuldade de compreensão por parte da sociedade. A pessoa tem um esteriótipo que não corresponde a todo esse espectro", explicou Bordini.

Primeiros sinais

A psicóloga Tatiana Mecca, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ressaltou a importância dos familiares e professores na identificação precoce do transtorno.

Ela citou um estudo realizado pelo Instituto Steinkopf, no Brasil, com mais de 23 mil indivíduos com diagnóstico de autismo, que revelou que mais de 50% dos primeiros sinais são identificados por familiares, enquanto aproximadamente 9,5% são percebidos pela primeira vez pelos professores.

Mecca explicou que, no primeiro ano de vida, os primeiros sinais tendem a ser inespecíficos. Entre eles estão prejuízos no desenvolvimento motor, alterações de sono e dificuldades nos aspectos não verbais da comunicação.

"A qualidade do contato visual do bebê na interação com as suas figuras de referência" é um dos aspectos a ser observado, segundo a especialista. Outros sinais de alerta incluem pouca resposta ao ambiente, baixa orientação social quando alguém chama ou interage com o bebê, e sorriso social diminuído durante a interação.

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