OMS lança programa para impulsionar vigilância genômica no mundo

Um a cada três países não tem capacidade de fazer o monitoramento genético constante de agentes causadores de doenças, segundo a OMS

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizam o sequenciamento genômico do novo coronavírus
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizam o sequenciamento genômico do novo coronavírus Josué Damacena/IOC/Fiocruz

Lucas Rochada CNN

em São Paulo

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A vigilância genômica é o processo de monitoramento constante de agentes causadores de doenças, com base na análise de semelhanças e diferenças genéticas. Historicamente, poucos países têm feito esse tipo de atividade de forma regular, uma vez que a tecnologia é complexa e cara.

A pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de ampliação da estratégia de modo a identificar variantes do novo coronavírus de maneira precoce. Com o objetivo de fortalecer e ampliar a vigilância genômica no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou uma nova estratégia nesta quarta-feira (30).

O projeto de vigilância genômica global para microrganismos com potencial pandêmico e epidêmico considera o período de 2022 a 2032. A iniciativa não é específica para um único tipo de agente causador de doença, fornecendo uma estrutura unificadora de alto nível com o objetivo de ampliar as capacidades existentes e fortalecer a vigilância genômica nos países.

Dados coletados pela OMS mostram que em março de 2021, 54% dos países tinham essa capacidade. Em janeiro de 2022, os investimentos realizados durante a pandemia permitiram um aumento para 68%. Segundo a OMS, houve também uma ampliação no compartilhamento público de dados de sequenciamento. Em janeiro de 2022, 43% mais países publicaram seus dados em comparação com um ano antes.

A vigilância genômica é utilizada por vários programas de saúde pública – do ebola à cólera – para a compreensão de microrganismos em nível molecular. Os resultados dos estudos ajudam pesquisadores, epidemiologistas e autoridades de saúde pública a monitorar a evolução de agentes de doenças infecciosas, alertar sobre a disseminação e desenvolver contramedidas, como vacinas.

“As complexidades da genômica e os desafios de sustentar as capacidades em diferentes contextos, incluindo necessidades da força de trabalho, mostram que a maioria dos países não pode desenvolver essas capacidades por conta própria”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em comunicado.

A pandemia de Covid-19 mostrou que os sistemas de saúde precisam de vigilância genômica a redução dos riscos de contágio. Essa tecnologia tem sido utilizada desde a identificação do SARS-CoV-2, no desenvolvimento dos primeiros testes de diagnóstico e de vacinas até o rastreamento e identificação de novas variantes do vírus.

“A vigilância genômica é fundamental para uma maior preparação e resposta a pandemias e epidemias”, disse Michael Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS. “Esta pandemia revelou o fato de que vivemos em um mundo interconectado e que somos tão fortes quanto nosso elo mais fraco. Melhorar a vigilância global de doenças significa melhorar a vigilância local de doenças. É aí que precisamos atuar, e essa estratégia nos dará a base”.

Ações para o fim da emergência global

Os primeiros casos de Covid-19 foram registrados no final de 2019, ainda como episódios de pneumonia sem causa identificada. Mais de dois anos depois, a pandemia continua sendo uma emergência global aguda, de acordo com a OMS.

Nesta quarta-feira, a OMS também lançou um plano de preparação e resposta para 2022 que estabelece uma série de ajustes estratégicos nos documentos de 2021 e 2020. Segundo a OMS, se as ações forem implementadas de forma rápida e consistente nos níveis nacional, regional e global, o mundo poderá dar um fim à fase aguda da pandemia.

“Devemos estar atentos à evolução e disseminação de novas variantes do SARS-CoV-2 e redobrar nossos esforços para nos proteger contra sistemas de saúde já impactados e profissionais de saúde sobrecarregados por novos surtos de Covid-19”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, no documento.

Segundo a OMS, mais de 6 milhões de vidas foram perdidas para a Covid-19. Somente na primeira semana de fevereiro, mais de 75.000 pessoas morreram em decorrência da doença.

A OMS afirma que o fim da emergência global da Covid-19 depende de ações de enfrentamento aos principais fatores que impulsionam a transmissão do vírus e os impactos diretos e indiretos da doença.

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