Pessoas com transtorno bipolar vivem menos? Dr. Kalil e convidados explicam
Psiquiatra Beny Lafer comentou estudo com 700 mil pacientes que revela que doenças cardiovasculares são a principal causa de mortalidade precoce, seguidas por suicídio
Pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar podem ter sua expectativa de vida reduzida em até 13 anos em comparação com a população geral. Os psiquiatras Beny Lafer, da Faculdade de Medicina da USP, e Sheila Caetano, da Unifesp, conversaram com o Dr. Roberto Kail sobre esse dado no CNN Sinais Vitais deste sábado (18).
De acordo com uma meta-análise envolvendo 700 mil pacientes com transtorno bipolar, as doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade precoce nesse grupo. Em segundo lugar está o suicídio, com risco 12 a 14 vezes maior do que na população geral.
"O transtorno bipolar é a doença psiquiátrica mais associada à mortalidade por suicídio", explicou Beny Lafer. O risco é particularmente elevado durante os episódios depressivos e nos chamados episódios mistos, quando o paciente experimenta simultaneamente sintomas de mania e depressão.
"Nos episódios mistos, o risco de suicídio é muito alto. O que acontece? Você tem o humor depressivo, você tem a culpa depressiva, mas você tem a energia da mania", detalhou Lafer, explicando por que essa combinação torna-se especialmente perigosa.
A genética desempenha papel fundamental no desenvolvimento do transtorno bipolar, especialmente no tipo 1, considerado o mais grave. Segundo a psiquiatra infantil Sheila Caetano, estudos com gêmeos monozigóticos (idênticos) mostram que entre 60% e 80% desenvolvem a condição quando um deles é afetado.
"Quando a gente vê a herdabilidade, a chance de que isso seja genético é em torno de 70%. Então, dentro dos transtornos psiquiátricos é o mais prevalente", afirmou Caetano.
Pesquisas realizadas no Brasil corroboram dados internacionais, indicando que já aos 11 anos de idade, 50% dos filhos de pessoas com transtorno bipolar tipo 1 apresentam algum transtorno psiquiátrico, como depressão, ansiedade ou transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.



