Pessoas devem perder até 58 horas de sono até 2099 por aquecimento global, diz estudo

Única noite acima de 30°C reduz o tempo de sono em cerca de um quarto de hora por pessoa, de acordo com o autor principal do estudo, Kelton Minor

Pessoas que vivem em climas mais quentes perdem mais sono por grau em comparação com aquelas em climas mais frios, diz estudo
Pessoas que vivem em climas mais quentes perdem mais sono por grau em comparação com aquelas em climas mais frios, diz estudo fStop Images - Emily Keegin/Getty Images

Megan Marplesda CNN

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Pessoas em todo o mundo provavelmente perderão de 50 a 58 horas de sono por ano até 2099 devido ao aquecimento global, revelou um novo estudo.

Os pesquisadores usaram pulseiras com acelerômetros internos para medir a duração e o tempo do sono em mais de 47 mil adultos em 68 países, por uma média de seis meses, para um estudo publicado na revista One Earth.

Os adultos devem dormir de sete a nove horas, de acordo com a Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos. A probabilidade de dormir menos de sete horas aumenta em 3,5% se as temperaturas mínimas externas noturnas excederem 25°C em comparação com a temperatura inicial de 5 a 10°C, segundo o estudo.

“A perda de sono de 3,5% pode inicialmente parecer um número pequeno, mas aumenta”, disse Alex Agostini, professora do departamento de justiça e sociedade da Universidade da Austrália do Sul, em Adelaide. Ela não participou do estudo.

Quando os adultos não têm a quantidade recomendada de sono, eles podem ter problemas de concentração, disse Alex. Os efeitos a longo prazo podem incluir um risco aumentado de alguns problemas de saúde, como doenças cardiovasculares e gastrointestinais, disse ela.

“Muitos de nós viramos a noite toda em algum momento de nossas vidas – imagine fazer isso oito vezes. Como você se sentiria?”, disse Alex.

Uma única noite acima de 30°C reduz o tempo de sono em cerca de um quarto de hora por pessoa, disse o principal autor do estudo, Kelton Minor, doutorando no Centro de Ciência de Dados Sociais da Universidade de Copenhague.

No entanto, os idosos perderam o dobro da quantidade de sono por grau de aquecimento em comparação com adultos jovens ou de meia-idade. Além disso, a perda de sono foi três vezes maior para idosos em áreas de baixa renda em comparação com áreas de alta renda, disse ele. As mulheres também foram cerca de 25% mais afetadas pelo aumento das temperaturas do que os homens, acrescentou Minor.

Baixa chance de adaptação ao calor

Os pesquisadores também encontraram evidências de que as pessoas que vivem em climas mais quentes perdem mais sono por grau em comparação com aquelas em climas mais frios, e que as pessoas se adaptam melhor em climas mais frios do que em climas mais quentes. Essa maior perda de sono em lugares mais quentes sugere que as pessoas não podem se adaptar facilmente a temperaturas mais quentes, disse Minor.

À medida que as temperaturas continuam a subir devido ao aquecimento global, Minor projetou que a perda de sono aumentará a um ritmo mais rápido em regiões que já enfrentam climas quentes em comparação com aquelas que não passam pela mesma situação.

As pessoas também não pareciam se ajustar ao calor: a quantidade de sono que as pessoas tinham no primeiro mês do verão, quando as pessoas estavam menos familiarizadas com o calor, e no último mês do verão, quando elas estavam mais familiarizadas com ele, mostraram que perderam quase mesma quantidade de sono, de acordo com Minor.

Essa semelhança na perda de sono indicou que as pessoas podem não se adaptar a temperaturas mais altas ao longo do tempo, disse ele. Além disso, os resultados mostraram que as pessoas não pareciam recuperar o sono perdido durante uma noite quente nas duas semanas após um pico de temperatura, disse o pesquisador.

O custo das temperaturas mais quentes

Os seres humanos passam cerca de um terço de suas vidas dormindo, mas um número crescente de pessoas não dorme o suficiente, disse Minor. Um terço dos adultos nos Estados Unidos relatam que normalmente dormem menos do que as sete a nove horas recomendadas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

“Muitos de nós já não dormem o suficiente, e a contribuição dos problemas de sono relevantes para o aquecimento global pode ter consequências reais para nossa saúde e bem-estar“, disse Alex por e-mail.

Quando os humanos começam a dormir, sua temperatura corporal central cai, disse ela. Quando a temperatura ambiente está mais quente, fica mais difícil esfriar, o que pode afetar a capacidade de adormecer, explicou a especialista.

O ar condicionado pode permitir que as pessoas se adaptem às temperaturas mais quentes, mas não é uma solução confiável a longo prazo, disse Alex.

As pessoas que vivem em países de baixa renda têm menos acesso ao ar condicionado, o que pode aumentar a divisão de igualdade, disse Minor.

Além disso, os aparelhos de ar-condicionado liberam emissões de gases de efeito estufa, que naturalmente aumentam o aquecimento global, disse Alex.

“A maior e melhor solução para o problema é o uso de planejamento de construção ecologicamente correto e a implementação de outras mudanças para melhorar a questão do aquecimento global”, disse ela.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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