Rio espera resultado de caso suspeito de Ômicron nesta quinta-feira (2)

Fiocruz, no entanto, deu um prazo de até cinco dias para enviar o resultado do sequenciamento genético

Mesmo com circulação da nova variante no Brasil, Reveillon e Carnaval estão mantidas na cidade
Mesmo com circulação da nova variante no Brasil, Reveillon e Carnaval estão mantidas na cidade Getty Images

Mylena GuedesIsabelle ResendeLucas Janoneda CNN

Rio de Janeiro

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A expectativa da prefeitura do Rio de Janeiro é de que nesta quinta-feira (02) seja divulgado o resultado da análise do sequenciamento genético da amostra suspeita da variante Ômicron.

O material foi encaminhado para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que deu um prazo de até cinco dias para enviar o resultado às secretarias de saúde do estado e município. A paciente recebeu as duas doses do imunizante da Pfizer ainda no Brasil, segundo a secretaria de saúde da capital.

A mulher, de 29 anos, chegou da África do Sul no dia 21 de novembro e viajava com o marido, que testou negativo. Antes de desembarcar na capital fluminense, o voo fez escalas em Joanesburgo, Etiópia e São Paulo.

Todos os contatos com pessoas feitos desde o desembarque foram monitorados e, até o momento, os resultados também foram negativos para Covid-19. Apesar de não apresentar sintomas, a paciente fez um teste de PCR, de rotina, na última segunda (29), que apresentou resultado positivo.

Mesmo com a possível chegada da variante no Rio, o prefeito Eduardo Paes disse à CNN que, por enquanto, os planos do Réveillon estão mantidos. O governador, Cláudio Castro, segue o mesmo pensamento ao dizer que, no momento, não dá para falar em cancelamento do evento.

Enquanto isso, o setor de turismo vê com otimismo a retomada das viagens no período, após a queda histórica no ano passado. No entanto, especialistas afirmam que ainda não há como saber qual será o real impacto da disseminação da nova cepa nas viagens durante as festas de fim de ano.

À CNN, o presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Roberto Nedelciu, disse que o aumento da demanda por informações em relação à situação atual da pandemia é uma realidade e ressaltou que a imunização contra o vírus é fundamental para os viajantes.

“No momento, não é possível mensurar um impacto real nas vendas, pois o tema é muito recente, mas os operadores seguem, mais do que nunca, desempenhando seu papel de levar informação e orientação aos viajantes para uma tomada de decisão mais assertiva, com base nos dados aos quais temos acesso. O avanço da imunização no Brasil, aliado aos protocolos de segurança difundidos pelo setor continuam sendo de extrema importância para uma viagem segura e satisfatória”, destaca.

Na mesma linha, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) afirmou que está monitorando o cenário para que as empresas do setor estejam aptas a orientar os consumidores que, eventualmente, possam ter as viagens alteradas.

Com a maior circulação de pessoas nas cidades, os estabelecimentos também preveem um aquecimento nas vendas. De acordo com Pedro Hermeto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-Rio), a chegada da variante Ômicron não preocupa o setor para a alta temporada.

“Nós entendemos que não há a menor razão para alarmismo no Brasil. Temos alta cobertura vacinal aqui no país e, pelo que vemos nos estudos que começam a ser realizados, a nova variante se manifesta em maior proporção em locais onde a cobertura é muito reduzida”, afirmou Hermeto.

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, no entanto, destaca que é necessário ter cautela quanto ao tema.

“A situação hoje é favorável à flexibilização, mesmo assim a gente se preocupa, pois tanto o Réveillon quanto o Carnaval são eventos com muitos turistas e aglomeração. Isso é um desafio grande para que sejam seguras. Com a nova variante, o cenário é pior, de expectativa, não sabemos o que vai acontecer, se a Ômicron vai circular fortemente no país ou não”, afirma.

A médica também tem receio de as festas serem canceladas em cima da hora e ser pior ainda para o controle sanitário.

“O que a gente espera das autoridades públicas é o monitoramento contínuo, principalmente a nova variante. Eu temo de se ficar muito em cima da data. Ter que mudar tudo talvez seja pior ainda. Mas eu deixo isso para as autoridades. É claro que a gente espera que exista um controle nas nossas fronteiras, exigindo o passaporte vacinal e a realização de testes para entrar no país”

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a prefeitura acompanha de perto o cenário local e que não há evidências ainda de que a Ômicron seja mais resistente aos imunizantes.

“Nós vamos aguardar o comitê científico, monitorar como caminha essa nova cepa, os impactos dela, e tomar as decisões de acordo com a ciência”, declarou.

A rede hoteleira da cidade já está com quase 80% de reservas confirmadas para a virada, segundo levantamento do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro (HotéisRIO). Esse número já supera os 74% de ocupação que o setor tinha em meados de dezembro de 2019, período pré-pandemia.

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