Rio tem dois casos de “Flurona” confirmados e outros 17 suspeitos em análise

CE e RN também investigam pessoas contaminadas; “detectados não quer dizer que pessoas estão coinfectando, explica virologista da Fiocruz

Teste diagnóstico da Covid-19
Teste diagnóstico da Covid-19 Walterson Rosa/MS

Isabelle SalemePauline AlmeidaThayana Araújoda CNN

Rio de Janeiro

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A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro confirmou nesta terça-feira (4), que a capital fluminense tem dois casos confirmados de “Flurona, a contaminação simultânea de uma pessoa pelos vírus da Influenza e da Covid-19. Outros 17 casos são investigados pela pasta.

Apesar de haver a possibilidade de o quadro de saúde de um paciente ser agravado pela dupla infecção, o secretário Daniel Soranz, disse que isso não aconteceu nos casos observados. “A gente não tem visto agravamento por causa da dupla infecção. É plausível que isso aconteça, mas não é o que a gente está vendo na prática”, explicou.

Sobre o assunto, a chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a virologista Marilda Siqueira explicou que ainda que os dois vírus tenham sido detectados, não quer dizer que as pessoas estão coinfectando.

“São coisas diferentes. Eu posso ter hoje uma infecção pelo vírus Influenza, e ter tipo, há 15 dias, por exemplo, uma infecção por corona. E, quando faz uma PCR, para os dois, ela detecta os dois vírus. Não quer dizer que os dois estão infectando a pessoa ao mesmo tempo. Quer dizer que essa pessoa teve, em algum momento recente, infecção pelos dois vírus, e a PCR é capaz de detectar pedaços do genoma desse vírus. Ela pode estar infectada pelos dois vírus, mas não necessariamente significa isso. Significa que a gente detectou, são conceitos diferentes.”

Um levantamento da Agência CNN confirmou que coinfecção simultânea causada pelo coronavírus e a influenza dupla já foi identificada em outros dois estados brasileiros, Ceará e Rio Grande do Norte. Questionado, o Ministério da Saúde disse apenas que os relatos são utilizados para uma análise qualitativa dos sintomas, com o objetivo de “identificar o perfil epidemiológico dos casos”.

A CNN questionou a Secretaria Estadual de Saúde sobre a possibilidade de mais casos de “Flurona” estarem em investigação nos demais municípios do Rio de Janeiro e aguarda posicionamento.

Testagem para Influenza

De acordo com Daniel Soranz, a testagem de Influenza não tem sido realizada nos postos de saúde por não haver relevância do ponto de vista do tratamento do paciente.

“A gente sempre utiliza o teste de Influenza somente pelo caráter epidemiológico, para verificar qual cepa está circulando. Isso não vai influenciar nada no tratamento da doença. Já na Covid-19 isso é diferente. É muito importante que pessoas com sintomas procurem realizar o teste de coronavírus”, lembrou.

O secretário municipal de Saúde do Rio explicou que a adesão de quase três milhões de cariocas à campanha de vacinação contra a gripe desse ano ajudou a “promover um bloqueio” na epidemia de Influenza, que começou em novembro.

Soranz ressaltou que o número de casos de gripe caiu mais de 80% de lá para cá. No entanto, defende que a campanha contra a gripe desse ano, que começa em abril, seja estendida para toda a população e não só para os grupos prioritários.

“No ciclo 2022 uma nova composição da vacina já foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para proteger a nossa população no inverno”, concluiu.

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