RJ distribui lote com 290 mil doses; capital vacina hoje pessoas com 37 anos

Lotes do imunizante Oxford/AstraZeneca serão enviados para os 92 municípios do Rio de Janeiro

Mylena Guedes*, da CNN, no Rio
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Na manhã deste sábado (17), serão enviadas 292 mil doses contra a Covid-19 do imunizante Oxford/AstraZeneca para os 92 municípios do Rio de Janeiro. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), além da capital, outros quatro municípios vão retirar as vacinas diretamente da Coordenação Geral de Armazenagem (CGA), em Niterói. São eles, São Gonçalo, Maricá, Itaboraí e Niterói, todos localizados na Região Metropolitana.

Já a distribuição para outras regiões do estado será realizada por meio de comboios de vans, caminhões e dois helicópteros. A Secretaria de Saúde ressalta aos municípios que não há reserva técnica para reposição das vacinas, caso a administração de doses não siga as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde.

A prefeitura do Rio de Janeiro prevê que a população a partir dos 37 anos esteja vacinada com pelo menos a primeira dose contra a Covid-19 neste sábado. De acordo com o calendário, o dia é destinado apenas aos homens e é a última data de repescagem de pessoas com deficiência permanente.

A expectativa do município é terminar o mês de julho com a faixa-etária dos 33 anos vacinada. A partir da semana que vem, com a atualização do calendário, serão três datas destinadas para cada idade, permanecendo a divisão por sexo. No primeiro dia, mulheres recebem a dose, no dia seguinte, é a vez dos homens e, no último, a repescagem. Agora, pessoas que perderam o dia da vacinação podem procurar os postos de saúde às quartas e aos sábados.

Já no mês de agosto começa a antecipação do calendário na capital fluminense e a interrupção da repescagem por idade. O intuito é que todas as pessoas adultas recebam a primeira dose da vacina até o dia 18 de agosto e que toda a população carioca acima dos 12 anos esteja totalmente imunizada em novembro.

Os adolescentes podem procurar os postos de saúde a partir do dia 23 de agosto. Enquanto isso, em setembro está prevista uma grande repescagem para todos que não conseguiram se vacinar.  
Até o momento, 3.468.979 pessoas receberam a primeira dose na capital fluminense, o que representa 53,4% da população total. Já em relação a segunda dose, 1.256.193 pessoas foram imunizadas, o que equivale a 20,6% da população.

Reposição de doses

Até o momento, pelo menos 10% das vacinas aplicadas na cidade do Rio foram recebidas por moradores de outros municípios. Ou seja, mais de 480 mil pessoas vieram à capital fluminense para se vacinar, sendo a maior parte de Duque de Caxias, Baixada Fluminense.  A informação foi dada pelo secretário de saúde, Daniel Soranz, em coletiva de imprensa nessa sexta (16).

Por conta dessa migração pelo imunizante, Soranz pediu, no início desta semana, que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) entregue doses complementares à cidade nas próximas distribuições. A compensação, segundo o secretário, é importante para que o avanço no calendário seja feito de uma maneira justa e equilibrada no estado como um todo.

“Esse é um pedido normal, a gente sempre faz esses ajustes de doses. É importante que quando alguém se desloque, o município seja compensado. Mas isso ainda está sendo discutido no Conselho de Secretários Municipais de Saúde”, disse.

Questionado pela CNN, o secretário estadual de saúde, Alexandre Chieppe, afirmou que não recebeu nenhum pedido oficial até o momento, mas que as áreas técnicas irão conversar juntamente com o Conselho de Secretários sobre o assunto.

“Temos cerca de 10% de doses para corrigir distorções do estado. Se for detectado algum tipo de desigualdade pela área técnica, certamente será resolvido”, afirmou Chieppe.

Em nota, a Secretaria Estadual afirma que distribui as doses de forma proporcional aos 92 municípios do estado e que “não há doses sobressalentes para atender a pedidos por imunizantes extras”.

“Esse movimento não acontece apenas na capital, mas também em outros municípios do estado. Entretanto, é importante ressaltar que a vacina é do SUS e o acesso a ela é garantido em qualquer local, independentemente do local de moradia”, afirma a pasta.

À CNN, o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, afirma que é natural que haja uma pressa pela vacinação em um momento de pandemia e, portanto, o deslocamento para outros municípios.

“Essa migração é natural, mas desorganiza o calendário, invertendo algumas prioridades. O deslocamento compromete um pouco a ordem, mas, no final, a questão tende a ser equalizada”, afirma.

*Sob supervisão de Helena Vieira