‘Sobra de doses é rara’, diz secretário municipal do Rio sobre ‘xepa da vacina’

Em entrevista à CNN, Daniel Soranz criticou a busca por doses excedentes dos imunizantes contra Covid-19 em postos de saúde no Rio de Janeiro

Da CNN, em São Paulo

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Secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, em entrevista à CNN, criticou o que ficou conhecido como “xepa da vacina” – pessoas que não pertencem ao grupo prioritário de imunização que buscam, nos postos de saúde, por doses excedentes. O caso foi revelado pela CNN nesta semana.

Segundo Soranz, não é comum sobrarem doses das vacinas nas unidades de saúde, sejam da Coronavac ou da AstraZeneca. “A recomendação da secretaria é muito clara: nos dias de menor movimento e no final do dia, é para se utilizar os frascos que têm uma dose, para evitar desperdício”, disse. “Se por acaso for abrir um frasco de 10 doses, garanta que terá pessoas dentro do grupo para serem atendidas. Então, é muito raro essa sobra.”

O secretário disse que, no caso de doses excedentes que não podem ser guardadas, é possível que pessoas fora dos grupos prioritários recebam a imunização desde que “seja justificado” o uso. “Mas a recomendação é que [a população] não procure os postos no final do dia. E que os postos se programem para vacinarem todas as doses em pessoas dentro do grupo prioritário”, disse Soranz.

Pessoas fazem fila atrás de 'sobras' de vacina, no Rio de Janeiro
Pessoas fazem fila atrás de ‘sobras’ de vacina em posto de saúde, no Rio de Janeiro
Foto: Pedro Duran/CNN

‘Xepa da vacina’

A reportagem da CNN flagrou, na segunda-feira (1º), que, depois de vacinar os grupos prioritários, postos de saúde distribuíram doses para quem estava em uma fila formada logo pela manhã – a qual recebeu o apelido, das próprias pessoas que aguardavam o imunizante, de “xepa da vacina”.

Cada frasco da vacina de Oxford/AstraZeneca contém 10 doses da vacina. Só que, depois de aberto, o imunizante só pode ser aplicado em até seis horas, ou seja, o frasco precisa ser esvaziado no mesmo dia para que a vacina não seja desperdiçada.

O secretário Daniel Soranz reforçou que o desperdício de vacinas deve ser evitado o máximo possível. “A regra é: não descartar a vacina em hipótese nenhuma, sempre aplicar em alguém dentro do grupo.”

(Publicado por: André Rigue)

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