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    Temperatura, doses e preço: o que se sabe sobre a vacina de Pfizer

    Imunizante desenvolvido em conjunto com BioNTech começou a ser aplicado na população do Reino Unido

    Ilustração de vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer/BioNTech
    Ilustração de vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Pfizer/BioNTech Foto: Dado Ruvic/Reuters

    Anna Satie e Jéssica Otoboni,

    da CNN em São Paulo

    O Reino Unido começou a vacinar a população nesta terça-feira (8), menos de uma semana após anunciar a aprovação de uso emergencial para o imunizante contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech.

    Margaret Keenan, britânica de 90 anos, foi a primeira pessoa no mundo a receber a vacina fora de um ensaio clínico. Ela recebeu a injeção em um hospital em Coventry, no centro da Inglaterra. “Sinto-me muito privilegiada por ser a primeira pessoa vacinada contra a Covid-19”, disse Keenan.

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    No Brasil, o governo sinalizou que esse imunizante não estaria dentro do perfil desejado, mas diante do avanço da pandemia e a aprovação do imunizante nos Estados Unidos, o Governo Federal anunciou na quinta-feira (10) que assinou um memorando de entendimento junto ao laboratório farmacêutico Pfizer, que vai garantir ao Brasil 70 milhões de doses da vacina em 2021.

    O que se sabe sobre a vacina da Pfizer até o momento? 

    Eficácia

    Uma análise final da fase 3 dos estudos clínicos mostrou que a vacina da Pfizer teve 95% de eficácia em prevenir infecções, inclusive em idosos, e não teve nenhum efeito adverso grave. 

    “A eficácia foi consistente nos grupos demográficos etários, raciais e étnicos. A eficácia observada em adultos acima de 65 anos foi de mais de 94%”, disseram Pfizer e BioNTech em nota conjunta. 

    A taxa é ainda maior do que a exposta em um relatório preliminar, que alegava 90% de eficácia e surpreendeu autoridades de saúde e desenvolvedores de vacinas ao redor do mundo. 

    Método

    Ao contrário das vacinas tradicionais, que usam vírus inativados ou enfraquecidos, o imunizante da Pfizer/BioNTech usa RNA mensageiro. 

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    O método, que começou a ser desenvolvido nos anos 1990, não era utilizado em nenhuma vacina para humanos até então.

    A técnica usa uma molécula sintética, programada com parte do código genético do vírus, para instruir as células do corpo a reconhecer a ameaça. O procedimento seria mais simples e seguro por não utilizar o vírus real.  

    Doses e preço

    O imunizante requer duas doses para ser eficaz: a segunda é aplicada três semanas após a primeira. 

    A Pfizer não definiu um preço para o governo brasileiro e afirmou que países mais pobres pagariam menos por dose. 

    A empresa fechou um acordo nos EUA de 100 milhões de doses, cada uma a US$ 19,50 (aproximadamente R$ 102).

    O valor é bem mais alto que os estimados para as vacinas da AstraZeneca/Oxford, de US$ 3,16 (R$ 16,50), e da Coronavac, de US$ 10,30 (R$ 54).

    Temperatura de transporte

    Além do preço, há outra particularidade que pode dificultar a aplicação da vacina da Pfizer/BioNTech no Brasil. 

    Isso porque ela deve ser mantida em uma temperatura ultrafria, de -70ºC. As empresas criaram um cooler próprio, monitorado por GPS e preenchido com gelo seco, para distribuí-la. 

    No Reino Unido

    No primeiro grupo da vacinação, cerca de 50 hospitais disponibilizarão o imunizante para pessoas acima de 80 anos, profissionais do sistema de saúde sob maior risco e funcionários de casas de repouso. 

    Depois, o governo quer montar cerca de mil centros de vacinação em todo o país em consultórios médicos para aplicar a vacina em pacientes vulneráveis. 

    As autoridades de saúde locais esperam ter mais de 4 milhões de doses do imunizante até o fim de dezembro, de um total de 40 milhões de doses encomendadas. Isso seria suficiente para vacinar 20 milhões de pessoas, ou um terço da população britânica.

    Nos Estados Unidos

    A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, em inglês), órgão regulador equivalente à Anvisa no Brasil, aprovou na sexta-feira (11) o uso emergencial da vacina da Pfizer, e na tarde de domingo (13), o diretor do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Robert Redfield, autorizou a aplicação da vacina em maiores de 16 anos.

    As doses devem começar a ser aplicadas na segunda-feira (14), primeiramente em grupos de risco: idosos em casas de repouso e trabalhadores da saúde devem ser imunizados antes. Os Estados Unidos planejam distribuir 14 milhões de doses de vacina até o final de 2020, e um número entre 50 milhões e 80 milhões entre janeiro e fevereiro. 

    No Brasil

    Inicialmente, o Ministério da Saúde havia informado que as vacinas contra Covid-19 deveriam ser “fundamentalmente” termoestáveis e armazenadas em temperaturas de 2ºC a 8ºC para serem incluídas no Plano Nacional de Imunização. Isso tiraria a vacina da Pfizer do planos de vacinação do país.

    No entanto, técnicos do governo disseram à CNN que, após ser retirada do freezer de -70°C, a vacina consegue se manter estável por aproximadamente oito dias na temperatura considerada dentro dos parâmetros pelo ministério. Se ela for aprovada pela Anvisa, disseram eles, será comprada.

    O plano nacional de imunização divulgado pelo governo federal afirma que já foram gastos R$ 4,4 bilhões para disponibilizar 142 milhões de vacinas da Pfizer e do consórcio Covax-Facility.

    A vacina da Pfizer foi a que compartilhou mais dados até o momento com a Anvisa, apurou a CNN. Ela já encaminhou documentos até a fase 2 dos estudos, a frente das vacinas da AstraZeneca/Oxford e da Coronavac.

    A busca pela aprovação do uso emergencial da vacina avança: a Pfizer solicitou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) um certificado de boas práticas pela fabricação da vacina. Essa é uma das etapas que antecedem o pedido de registro e de liberação dos imunizantes para usos emergenciais no Brasil.

    (Com informações de Maggie Fox e Amanda Sealy, da CNN, em Atlanta, Laura Smith-Spark, Mia Alberti, Niamh Kennedy e Amy Woodyatt, da CNN, em Londres, e Reuters)