Última fase dos testes clínicos da vacina de Oxford tem eficácia média de 70,4%

Revisão foi publicada pela revista The Lancet; imunização prevê a necessidade de duas doses

Giulia Alecrim*, da CNN, em São Paulo

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A Universidade de Oxford publicou, nesta terça-feira (8), o primeiro resultado revisado do seu terceiro e último teste clínico da vacina contra Covid-19 – desenvolvida em parceria com a AstraZeneca -, que apresentou 70,4% de eficácia média contra a doença em pessoas com idade entre 18 e 55 anos. A revisão foi publicada na revista The Lancet. A imunização prevê a necessidade de duas doses da vacina.

O estudo ainda não conseguiu avaliar a eficácia da vacina nas pessoas com mais de 55 anos. Não houve um número de infecções suficientes nesse grupo etário para que a eficácia fosse estabelecida. A eficácia nesse grupo depende de novos resultados do estudo, que continua em andamento

Os coordenadores do estudo separaram os testes clínicos entre dois grupos: um recebeu a primeira dose padrão seguida por uma vacinação de reforço (62,1% de eficácia) e o outro recebeu uma vacina de dose baixa seguida por uma vacinação de dose padrão (90% de eficácia). A eficácia média foi obtida com base nos dois grupos.

No dia 26 de novembro, a farmacêutica já tinha informado que optou por fazer testes adicionais do imunizante após identificar um erro nas dosagens que um grupo de voluntários recebeu.

“Hoje, publicamos a análise do ensaio de Fase 3 e mostramos que esta nova vacina tem um bom histórico de segurança e eficácia contra o novo coronavírus”, informou em comunicado o professor Andrew Pollard, diretor do Oxford Vaccine Group e investigador-chefe dos testes clínicos. “Somos imensamente gratos aos nossos voluntários de teste por trabalharem conosco nos últimos 8 meses para nos levar a este marco”, completou.

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Foto: Dado Ruvic – 9.set.2020/Reuters

De acordo com o CEO da AstraZeneca, Pascal Soriot, a farmacêutica já começou a enviar dados da vacina para autoridades regulatórias em todo o mundo para aprovação antecipada de uso e está pronta para entregar centenas de milhões de doses em escala global sem lucro.

A eficácia média de 70% já havia sido antecipada pela empresa no dia 23 de novembro. O primeiro e segundo teste já apresentavam resposta segura e eficaz contra o vírus. Ainda não é possível dizer se a vacina de Oxford poderá proteger as pessoas contra infecções assintomáticas.

Os estudos da Fase 3 foram desenvolvidos no Reino Unido, Brasil e África do Sul, apesar da revisão de pares ter utilizado dados apenas dos 11.636 voluntários do Brasil e do Reino Unido.

Nenhuma hospitalização ou doença grave foi observada nos grupos vacinados a partir de três semanas após a primeira dose. Durante os testes clínicos, apenas três dos 175 eventos adversos graves relatados foram relacionados à vacina.

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“Após a demonstração da eficácia da vacina em muitos estudos pré-clínicos, agora temos evidências claras de eficácia nos resultados do ensaio apresentados em uma publicação revisada por pares hoje. Agora, sob revisão regulatória, esperamos que esta vacina seja usada em breve para começar a salvar vidas”, informou a professora Sarah Gilbert, professora de vacinologia da Universidade de Oxford, em comunicado.

A Universidade paralisou, por algumas semanas, a fase atual de testes, em todo o mundo, no dia 8 de setembro, após uma suspeita de reação adversa séria em um participante do Reino Unido. Já no dia 21 de outubro, a morte de um voluntário brasileiro de 28 anos foi confirmada. Ele era médico e teria falecido por complicações da Covid-19.

Vacina de Oxford no Brasil

Em reunião com governadores nesta terça-feira (8), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a vacina de Oxford contra a Covid-19 deve começar a ser aplicada no Brasil no final de fevereiro e início de março de 2021.

(Sob supervisão de Paloma Souza)

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