A Microsoft quer tornar o voto mais confiável nos EUA; essa parceria vai ajudar

Software protege individualmente cada voto com um processo de criptografia que reduz a probabilidade de adulteração

Foto: Reuters/Mike Blake

Clare Duffy, CNN Business

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No final de fevereiro de 2020, a Microsoft realizou o primeiro teste oficial de seu software de segurança de votação, chamado ElectionGuard, em uma eleição na cidade de Fulton, no Wisconsin, nos Estados Unidos, para o conselho escolar local e uma cadeira na Suprema Corte estadual. Desenvolvido como parte do projeto “Defendendo a Democracia” da gigante da tecnologia, o software foi projetado para ajudar a tornar as eleições mais seguras e confiáveis.

Agora, mais de um ano depois, a desconfiança generalizada e a discórdia em torno da eleição presidencial norte-americana de 2020 incentivaram a defesa desse tipo de tecnologia.

“Não acho que tenha havido um momento mais importante na história para os fornecedores tentarem incorporar essa tecnologia em seus sistemas devido à sua capacidade de gerar confiança no processo eleitoral“, disse Tom Burt, vice-presidente corporativo de segurança e confiança do cliente da Microsoft ao CNN Business.

A Microsoft (MSFT) anunciou nesta quinta-feira (3) a primeira implementação do ElectionGuard com um grande fornecedor de tecnologia de votação dos Estados Unidos, Hart InterCivic. Hart – um dos três principais provedores de votação nos Estados Unidos – fornece seu sistema de votação para profissionais eleitorais em mais de 500 jurisdições em 17 estados.

As empresas disseram que o acordo tornará a Hart o primeiro grande fornecedor de tecnologia eleitoral a oferecer aos eleitores uma verificação completa de que suas cédulas foram contadas corretamente.

Hart já iniciou discussões com funcionários sobre os testes do software ElectionGuard nas próximas eleições. Em última análise, a Microsoft espera que a tecnologia seja amplamente adotada a tempo para as eleições presidenciais de 2024 nos Estados Unidos.

“Acreditamos que devemos constantemente repensar como a tecnologia pode tornar a votação mais segura e também mais transparente, e esta parceria com a Microsoft é um forte passo nessa direção”, disse Julie Mathis, CEO da Hart InterCivic.

Para os eleitores, o processo de votação da Hart ainda funcionará mais ou menos da mesma forma que funciona agora: os eleitores em locais de votação designados vão preencher uma cédula de papel ou selecionar suas opções em uma máquina e então imprimir. A cédula de papel será então colocada em um scanner da Hart. Mas agora, esse scanner será equipado com o software ElectionGuard, que vai criptografar as cédulas assim que forem digitalizadas.

O ElectionGuard protege individualmente cada voto com um processo chamado “criptografia homomórfica” – após o fechamento das urnas, essa criptografia torna possível registrar os votos e descriptografar os resultados sem ter que descriptografar as cédulas individuais.

Isso reduz a probabilidade de adulteração de votos: para manipular a votação em prol de um determinado candidato, seria necessário colocar em ação o difícil trabalho de descriptografar cada voto para saber até mesmo quais votos alterar.

As equipes eleitorais também podem executar um aplicativo de verificação que usa uma equação matemática após o fechamento das urnas para determinar se os votos foram adulterados. Por causa do processo de criptografia, a equação produzirá um resultado esperado se nenhum voto for adulterado. Se a resposta for diferente, isso indicará que os funcionários devem verificar os resultados das eleições usando cédulas de papel.

O software é construído com base no pressuposto de que é impossível evitar com 100% de certeza o comprometimento de um sistema de votação. Portanto, o ElectionGuard garante que, se houver um hack, os profissionais saberão imediatamente e terão opções alternativas para a contagem dos votos, removendo assim incentivos à adulteração eleitoral.

Prevenir adulterações é uma preocupação central para as equipes eleitorais. O governo dos Estados Unidos descobriu que países adversários, incluindo Irã e Rússia, tentaram interferir nas eleições presidenciais de 2020, com o objetivo de minar a confiança dos eleitores no processo democrático.

Outro recurso importante do software ElectionGuard é a capacidade dos eleitores individuais de confirmarem que seu voto foi contado com precisão. Depois de votar, cada eleitor receberá um código que pode ser usado para verificar sua cédula no dia seguinte – o mesmo aplicativo de verificação que confirma que não houve violação de voto pode confirmar para os eleitores que sua cédula foi contada corretamente.

“Para aqueles que estão desconfiados, é dada a capacidade de confirmar que seu voto foi contado, é aí que vejo um enorme potencial de transformação na confiança”, disse Burt.

O ElectionGuard é um software de código aberto gratuito que a Microsoft desenvolveu como uma iniciativa sem fins lucrativos.

Este é um texto traduzido, para ler o original, em inglês, clique aqui.

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