Hubble: saiba tudo sobre o telescópio que mudou a visão sobre o Universo

Informações obtidas por ele já geraram mais de 1,2 mil publicações de estudos pelo mundo

Giovana Christ, da CNN
Compartilhar matéria

No dia 24 de abril de 1990 foi lançado ao espaço o telescópio Hubble, uma parceria feita entre a Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos) e a ESA (Agência Espacial Europeia) visando entender melhor o Universo.

O instrumento fica localizado 515 quilômetros da Terra, em uma órbita considerada baixa, e já registrou mais de um milhão de observações durante três décadas. As imagens obtidas pelo telescópio já geraram mais de 21 mil estudos e 1,2 milhões de publicações fazem referência a essas primeiras.

O Hubble foi colocado em órbita para driblar as dificuldades encontradas para observar o espaço diretamente da superfície do nosso planeta. A Terra bloqueia alguns comprimentos de onda — o que é bom, já que bloqueia radiações perigosas para a vida — e sua atmosfera é composta por bolsas de ar em movimento que borram as fotos capturadas por estações no solo. Além disso, a poluição também atrapalha esse tipo de visualização.

No local em que está, o telescópio evita essas interferências e consegue gerar imagens com mais detalhes e fiéis à realidade. Até o momento, já auxiliou os cientistas a determinar a composição atmosférica de planetas, descobrir mais sobre a energia escura e a entender o Universo como um todo.

Quais são as vantagens do Hubble?

Esse telescópio consegue capturar diversos comprimentos de onda, o que permite a obtenção de uma abundância de detalhes de galáxias, nebulosas e outros objetos cósmicos. Suas lentes têm uma grande resolução angular, sendo capazes de distinguir dois objetos que estão muito próximos, por exemplo.

Segundo a Nasa, "se seus olhos tivessem a resolução do Hubble, você poderia ler a data em uma moeda a dois quilômetros de distância".

Por sua localização ser mais baixa se comparada a de satélites — que ficam em média a 36 mil quilômetros da Terra —, sua manutenção é facilitada, permitindo que ele esteja há tanto tempo lá em cima e aumentando sua vida útil.

O Hubble tem em sua estrutura diversas ferramentas que permitem o melhor entendimento do Universo, como: câmeras; espectrômetros, que medem as luzes emitidas pelos corpos, revelando detalhes como composição química e temperatura; e interferômetros, usados para direcionar o telescópio, mas também utilizados para medir as posições e o brilho das estrelas.

O que o telescópio já fez?

Além de capturar belas imagens que são divulgadas quase todos os dias, o Hubble estuda a taxa de aceleração do Universo e descobriu que quanto mais longe uma galáxia está de nós, mais rápido ela parece estar se afastando.

Ele também permitiu a descoberta de enormes buracos negros, registrou o nascimento das estrelas, o crescimento de galáxias e revelou detalhes de alguns dos mistérios que cercam a morte de estrelas.

Dado a facilidade de sua manutenção e atualização, o Hubble deve continuar a gerar informações sobre nosso espaço por muitas décadas.