Observatório europeu registra estrela sendo devorada por buraco negro

Fenômeno é denominado ’espaguetificação’ pois, quando em contato com o buraco negro, a estrela se desfaz, liberando um clarão brilhante de energia

Concepção artística de uma estrela sendo desfeita por forças de maré exercidas por um buraco negro supermassivo
Concepção artística de uma estrela sendo desfeita por forças de maré exercidas por um buraco negro supermassivo Foto: ESO/M. Kornmesser/Divulgação

Bianca Camargo e Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo

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Telescópios do Observatório Europeu do Sul (European Southern Observatory – ESO) capturaram o momento da “espaguetificação” de uma estrela ao ser devorada por um buraco negro supermassivo. Uma animação artística reproduziu o evento – veja abaixo.

Um estudo sobre o caso foi publicado nesta segunda-feira (12) na revista científica “Monthly Notices of the Royal Astronomical Society”, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

A equipe de astrônomos, pertencentes a organizações de todo o mundo, descobriu que quando um buraco negro engole uma estrela ele pode lançar uma poderosa explosão de material para fora. É denominado “espaguetificação” pois, quando em contato com o buraco negro, a estrela se desfaz, liberando um clarão brilhante de energia.

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“Quando uma estrela azarada se aproxima demais de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia, a extrema atração gravitacional exercida pelo buraco negro desfaz a estrela em finas correntes de matéria”, explica Thomas Wevers, autor do estudo e bolsista do ESO em Santiago do Chile, que estava trabalhando no Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge.

Esse episódio é raro e nem sempre fácil de estudar, mas os astrônomos enfrentavam dificuldades para investigar e registrar o clarão de luz, devido a uma cortina de poeira e restos de material estelar se formar. Além disso, os pesquisadores acreditam que este é o mais próximo registrado de nós – ou o menos distante – que aconteceu a pouco mais de 215 milhões de anos-luz de distância da Terra.

Kate Alexander, bolsista Einstein da NASA na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, diz que puderam ver a “cortina” sendo criada à medida que o buraco negro lançava as finas correntes de matéria. “Esta única ‘espiada atrás da cortina’ nos proporcionou a primeira oportunidade de localizar a origem do material ocultante e seguir em tempo real como é que engolfa o buraco negro”, disse.

De acordo com o estudo, esse registro poderá explicar como funcionam os buracos negros supermassivos e como a matéria estelar se comporta em ambientes com alta gravidade. A criação do Extremely Large Telescope (ELT), do ESO, será finalizada e começará a operar ainda nesta década, o que poderá possibilitar detectar e captar melhor eventos similares à esse, “ajudando assim a desvendar mais mistérios da física dos buracos negros.”

Nobel de Física 2020

O Prêmio Nobel de Física deste ano premiou um trio de cientistas por estudos relacionados aos buracos negros presentes em nossa galáxia. O grupo dividiu o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de 1,1 milhão de dólares).

O físico britânico Roger Penrose recebeu o Prêmio “pela descoberta de que a formação do buraco negro é uma robusta previsão da teoria geral da relatividade”. Já o astrofísico alemão Reihard Genzel e a astrônoma norte-americana Andrea Ghez foram premiados “pela descoberta de um objeto compacto supermassivo no centro de nossa galáxia”, isto é, indicaria a presença de um buraco negro.

A pesquisa de Penrose indica que a teoria geral da relatividade, de Albert Einstein, levaria à formação dos buracos negros. Já os estudos de Genzel e Ghez mostram que “um objeto extremamente pesado e invisível governa as órbitas das estrelas no centro de nossa galáxia”. “Um buraco negro supermassivo é a única explicação atual conhecida”.

Andrea Ghez é a quarta mulher a ser premiada na categoria desde a criação do prêmio, no ano de 1901.

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