Água mineral não é tudo igual: saiba como ela também pode harmonizar à mesa

Diferentes rótulos possuem características próprias que podem combinar, harmonizar e elevar a experiência gastronômica

Stêvão Limana, colaboração para o Viagem & Gastronomia
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Você já parou para prestar atenção no tipo de água que está bebendo durante uma refeição? Às vezes, isso passa batido, mas nosso subconsciente percebe rapidamente: algumas parecem mais adstringentes, outras mais leves.

As características organolépticas são inúmeras e, assim como acontece com o vinho, a água também pode combinar, harmonizar e elevar a experiência gastronômica.

Esse movimento acontece por conta das diferentes fontes naturais de água existentes no Brasil e no mundo. Cada uma preserva características geológicas próprias, que determinam a quantidade e o tipo de minerais dissolvidos, além da presença natural de gás.

É por isso que, quando vamos a um empório ou supermercado, encontramos águas com preços bastante diferentes. Cada uma entrega uma experiência própria.

Sommelier de águas minerais

Segundo o sommelier de águas minerais Gustavo Buske, o conhecimento ajuda a derrubar algumas crenças populares.

"Embora muita gente pense que água é tudo igual, não é bem assim. O primeiro ponto é a mineralidade, que indica a quantidade de minerais dissolvidos. Quando a mineralidade é baixa, a água é leve e quase ‘invisível’ no paladar. Quando é mais alta, ela tem mais presença, quase como uma textura mais marcada na boca", explica.

Buske foi o vencedor do 1º Concurso Brasileiro de Sommelier de Águas Minerais, premiação promovida em 2025 pela maior instituição de enogastronomia do país, a Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo (ABS-SP).

Com o conhecimento adquirido, o sommelier decidiu apostar em uma "carta de águas" para complementar a seleção de vinhos assinada por ele nos hotéis Casa da Montanha e Wood Hotel, em Gramado (RS), e no Parador de Cambará do Sul (RS), empreendimentos da coleção Casa Hotéis.

A experiência é a primeira do tipo no Brasil e também está disponível nos restaurantes Ocre, assinado pela chef Roberta Sudbrack, e Giostra Cucina, que possui curadoria de Carla Pernambuco.

Os rótulos escolhidos vão de produções limitadas, como a água Cambuquira, oriunda da fonte Roxo Rodrigues, em Minas Gerais, até marcas internacionalmente conhecidas, como Perrier e Acqua Panna.

Para Buske, cada água "tem origem, identidade e características próprias". E quem deseja começar a explorar esse universo pode seguir alguns caminhos simples.

"A primeira informação que eu indico é olhar o contrarrótulo. Lá aparecem dados como pH, quantidade total de minerais, sódio, cálcio e magnésio. Não é preciso decorar números, mas eles ajudam a entender se aquela água é mais leve ou mais mineral", explica.

"A segunda forma é simplesmente provando. Na degustação percebemos se a água é leve ou mais presente, se é macia ou mais ‘seca’, se o gás é suave ou intenso e quanto tempo a sensação permanece na boca."

Ele também destaca outra característica importante: o pH de cada fonte.

"Águas mais ácidas costumam trazer mais sensação de frescor. Já as neutras podem parecer mais suaves e até levemente doces", afirma.

Harmonização

Em um mundo cada vez mais "menos alcoólico", as águas também surgem como uma alternativa interessante para harmonizar refeições.

A lógica costuma ser intuitiva:

  • Pratos mais delicados pedem águas leves;
  • Carnes e queijos mais intensos combinam com águas de maior mineralidade;
  • Alimentos mais gordurosos costumam funcionar bem com águas com gás;
  • Sobremesas tendem a harmonizar melhor com águas neutras.

A dica final de Buske é especialmente útil para os amantes do vinho. Quando tivermos uma mesa com diferentes estilos, regiões e intensidades da bebida, vale intercalar a degustação com generosas doses de água de perfil neutro.

"Em uma degustação de vinhos, a água deve ser discreta. O ideal é escolher uma água sem gás, de baixa a média mineralidade e com pH mais próximo do neutro. O papel dela é limpar o paladar entre um vinho e outro, sem interferir nos aromas e sabores. Se a água for muito mineral ou muito gaseificada, pode competir com o vinho e alterar a percepção sensorial."

"Numa degustação, a água entra como apoio. O vinho continua sendo o protagonista." Ou seja: beba, mas hidrate-se!

*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.

Sobre Stêvão Limana

Stêvão Limana é jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pós-graduado em enologia, postulante a sommelier profissional e maratonista nas horas vagas. Na TV, fala sobre política e eleições, enquanto na internet foca em vinhos e gastronomia.

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