Da caipirinha ao highball: uma volta ao mundo pelos copos da Copa
Coquetéis populares de cada país contam histórias de clima, hábitos, ingredientes regionais e estilos de vida

A cada quatro anos, a Copa do Mundo nos conecta e faz conhecer diferentes culturas por meio do futebol. Mas existe uma outra forma de viajar pelo planeta durante esse período, observando o que cada país coloca no copo em momentos como esse.
Mais do que simples bebidas, os coquetéis e combinações que se tornam populares em diferentes partes do mundo contam histórias sobre clima, hábitos, ingredientes regionais e estilos de vida.
Alguns são conhecidos no planeta todo. Outros permanecem quase desconhecidos fora de suas fronteiras. Mas todos, de alguma forma, ajudam a explicar um pouco dos lugares onde nasceram.
Brasil: Caipirinha

Poucos coquetéis representam tão bem um país quanto a caipirinha representa o Brasil. Feita com cachaça, limão, açúcar e gelo, ela combina frescor, simplicidade e potência na medida certa. É um drinque que consegue ser democrático sem perder sua identidade, e que, décadas depois de conquistar o mundo, continua sendo o maior embaixador da nossa coquetelaria.
Argentina: Fernet Cola
Tecnicamente não chega a ser um coquetel clássico, mas poucas bebidas traduzem tão bem a cultura de um país com seu consumo massivo. A mistura do amaro Fernet com refrigerante de cola é uma verdadeira instituição argentina. O primeiro gole costuma dividir opiniões. Do segundo para frente normalmente faz mais sentido.
México: Mezcal Paloma

A Paloma tradicional mistura tequila, cítricos e grapefruit. Mas, preparada com mezcal, ganha notas mais defumadas e uma profundidade que ajudam a contar a história de um dos destilados mais fascinantes e plurais do mundo. Refrescante, popular, complexa e extremamente mexicana.
Japão: Highball
Uísque japonês, água gaseificada e muito gelo. Simples, mas o highball é um dos maiores símbolos da cultura de bares japonesa, ou dos izakaya, como são chamados por lá. A obsessão local pela precisão transforma uma combinação aparentemente básica em um exercício de técnica e perfeição. O equilíbrio vale muito.
Espanha: Tinto de Verano

Embora a sangria tenha se tornado muito mais famosa mundialmente, quem frequenta bares e restaurantes na Espanha, sobretudo durante o verão, encontra com muito mais frequência o Tinto de Verano. A combinação de vinho tinto, refrigerante de limão e gelo é refrescante, despretensiosa e perfeita para tardes longas. Curiosamente, este drinque ganhou destaque internacional recentemente após uma entrevista descontraída de Lionel Messi, que viveu grande parte de sua vida em Barcelona.
França: Champagne Piscine
Para muitos brasileiros, colocar gelo em champanhe pode parecer quase um pecado. Mas, durante os meses mais quentes na França, é bastante comum encontrar o chamado "champagne piscine" ou apenas piscine. Basicamente, é champanhe servido em uma grande taça de vinho com bastante gelo. Mais do que seguir regras, a proposta é simples: adaptar uma das bebidas mais icônicas do país ao clima e ao momento.
Portugal: Porto Tónico
O Porto Tónico, ou Porto Tônica, ocupa espaço de destaque nos verões de Portugal. A combinação de vinho do Porto (preferencialmente branco), água tônica, gelo e limão é leve, refrescante e extremamente agradável para acompanhar o fim de tarde. Uma prova de que um dos produtos mais tradicionais do país também sabe se adaptar.
Estados Unidos: Old Fashioned

Whiskey, açúcar, Angostura bitter e gelo. Poucos coquetéis são tão importantes para a história da coquetelaria quanto o Old Fashioned. Direto, encorpado e sem excessos, atravessou gerações sem perder relevância. Em um país responsável por boa parte da evolução dos bares modernos, continua sendo um dos grandes símbolos do balcão americano.
Futebol e coquetelaria
Talvez o futebol e a coquetelaria tenham mais em comum do que parece. Ambos carregam tradição, identidade e orgulho nacional. E, assim como cada seleção leva para o campo sua própria maneira de jogar, cada país também encontra uma forma particular de se expressar em seus copos.
Durante a Copa, vale prestar atenção não apenas no que acontece dentro das quatro linhas. Às vezes, uma viagem cultural tão interessante quanto a partida está acontecendo logo ao lado, no bar mais próximo.
*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.
Sobre Nicholas Fullen

Empreendedor do setor de gastronomia e hospitalidade, integrante da Forbes Under 30 (2022) e jurado do Campari Bartender Competition, Nicholas Fullen é sócio-fundador e CPO do Grupo Locale — que reúne o Locale Caffè, Locale Trattoria, Exímia Bar, Oguru Sushi & Bar, Go By Oguru e Poke by Oguru. Nicholas lidera o desenvolvimento de produtos e a estratégia de expansão do grupo.


